26 de abril de 2012

PALAVRAS

Se for para a defesa que servem as letras.

Qual o favor de construir uma frase de ataque.

Se for para destruir o verbo de pouco restas.

No sonoro versar o diálogo entope a fala de araque.

O sentido da silaba em ponto e vírgula são confusas.

Na dor de ouvir absurdos causa na voz um sotaque.

Arredio traduzido em feroz diáspora.

Para o percurso da arte refugio que ilumina após o baque.

Doando ao universo tantas outras histórias amenas.

Subindo em par com equilíbrio suspirando como num almanaque.

Nas folhas precoces ao fogo do amor no centro do ar agitado apenas.

Risonho com o real sabor da jabuticaba no saque.

Tingindo as mantas sobre o futuro inteiro e amarrando-as.

Marcio Moura
Ceramista e Professor:  fone  071 9997-6607 ou 71 9137-0315
Tapera -Praia do Forte - Bahia - Brasil
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19 de abril de 2012

NA TEMPESTADE

Marcio Nogueira

Vê a beleza do raio.

E os ventos hão de soprar.

As cinzas de teu receio.

Marcio Moura
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LIVRO DE LENY WERNECK - ALTAMENTE RECOMENDÁVEL

É um selo de qualidade que a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil concedeu ao Livro “Ponte Ponteio”.

O livro, foi editado pela Record, ano passado.

Tem um texto maravilhoso, como todos os demais escritos por Leny Werneck, sempre destinados às crianças e adolescentes, mas de proveitosa leitura pelos adultos. Esse “ Ponte Ponteio” contou com a ilustração do genial Rui de Oliveira! A cerimonia de premiação será a 23 de maio. Você saberá o local e hora a tempo.

Como disse Afrânio Peixoto : “Quando você quiser saber algo que ignora, não pergunte aos sábios ou aos amigos: pergunte aos livros.”

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17 de abril de 2012

O QUE É A VERDADE

A pergunta do consul romano ao Nazareno ainda ressoa. O Globo de sábado, dia 14, mancheteia : “ No Rio, BB e Caixa não estão preparados para reduzir juros”. Em letras garrafais…e a submanchete : Gerentes dão informações erradas ou desencontradas sobre taxas”
Sou um zero a esquerda para duvidar desse grande “arrotativo” carioca. Sou um pobre que vive como rico. Um sortudo jornalista e escritor que conseguiu – no meio da carreira – ser admitido na Itaipu Binacional, e lá, aposentar-se com uma ótima complementação salarial. Como jornalista, se fosse depender somente da Previdência Social, estaria na pobreza, como tantos companheiros de geração.
Voltando ao título acima, quero dar meu testemunho. Estive na agencia da Caixa Econômica do bairro para abrir conta corrente. Fui muito bem tratado pelo gerente de atendimento da pessoa física, Signori Carlos Alberto Borghetti.
Isso ocorreu na 2ª feira, dia 11, quando passaram a vigorar as medidas para baixar as taxas de juros. O senhor Borghetti, a todo momento calculava os juros de minhas dívidas no cheque especial, no crédito direto ao cliente, enfim todo o meu encalacramento na conta corrente que mantinha, desde 1992 em uma agencia da Caixa, em Curitiba. Sim, ele já estava com a tabela das novas tarifas ( bem mais baixas das que eram praticadas até a 6ªfeira, 6 do corrente).
Lá em Sorocaba, onde nasci e me criei, circula o centenário jornal “Cruzeiro do Sul”, mantido pela Maçonaria. Seu antigo dono Orlando da Silva Freitas estampava no alto da 1ª página, permanentemente a frase : “ Conhecereis a verdade; e a verdade vos libertará”.
Eu acredito nisso !!!
Muitas pessoas devem a grandeza de suas vidas aos problemas e obstáculos que tiveram de vencer. Spurgeon

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12 de abril de 2012

LIVROS

Marcio Nogueira

Parágrafo cinéfilo de espaço reduzido.

Postais estrangeiros sobre a terra encharcada.

Passadas leves.

Olhares olhar versus olhar olhares.

Anônimo… És.

Vidas fotografadas bairros em transformação do teu imenso universo virtual.

Marcio Moura
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SEM TÍTULO

Marcio Nogueira

Ilusão que se dá somente nas dunas.

Praias que jamais pisei.

Em verão algum.

As peças da minha sobrevivência aquecem.

Vento de agosto, o canto, o ruído.

Bela sequência

Não há mais formigas.

Fosse uma possível amizade.

Lixo, consequência, pássaros.

Em pleno avanço da sombra.

Em direção a música.

Daquela rádio sintonizada de matizes.

Marcio Moura
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10 de abril de 2012

UMA PRESIDENTE CULTA - UM BRASIL IMPORTANTE

Depois da 2ª Guerra Mundial, em 1947, o presidente da República chamava-se Eurico Gaspar Dutra, militar de carreira. Nesse ano visitou os EUA. Tudo muito festivo. Os americanos agradeciam a participação dos brasileiros nas batalhas na Itália. Maria Luiza Nogueira atuou como garçonete na visita que o Marechal Dutra fez a uma cidadezinha chamada Brazil, no Missouri, se não me engano.

As visitas eram assim, festivas, mas sem maior importância. Éramos uma república de banana – o quintal dos Estados Unidos.

Até Jango Goulart, há cincoenta anos, desfilou em carro aberto, na Broadway! Dos presidentes do século vinte, somente Getúlio Vargas nunca pisou na América do Norte. Limitou-se a receber Franklin Delano Roosevelt em Natal, Rio Grande do Norte, durante a guerra.

O Brasil cresceu, tornou-se líder na América do Sul, e, desde 2003 é olhado com respeito pelos donos do mundo. Em menos de dois anos Obama se reúne pela terceira vez com a presidenta Dilma. Os idiotas da objetividade, na ânsia de diminuir a importância da visita ironizam que Dilma não recebeu as honras de visita de Estado. Chegam a dizer que entrou na Casa Branca pela porta da cozinha ! São saudosistas dos salamaleques de antanho, de um Brasil subserviente.

A nossa culta Presidenta – além do protocolar encontro com o Presidente Barack Obama – está em Boston. Lá, hoje, falará, na Universidade de Harvard, a mais importante do mundo, sobre como o Brasil está conseguindo tirar da pobreza milhões de patrícios, sim, os que passaram a comer três vezes por dia e deixaram de lado as longas viagens de ônibus e vão de avião visitar os parentes nos rincões mais distantes e como o nosso país vai assumindo o lugar que sempre mereceu no concerto das Nações e por aí vai. Sua presença atraiu tanto interesse, que foi preciso fazer um sorteio para escolher a seletíssima plateia interessada em ouvir a primeira mulher a presidir um dos maiores países do mundo. Tomara que a doutora Ana Nogueira seja sorteada !

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O BLOOMSDAY COMEÇOU NO CPFC

No ano 2000 o “dia de Bloom”, 16 de junho, data em que se desenvolve o enredo do romance “Ulisses”, do escritor irlandês James Joyce, foi pela primeira vez, comemorado em Curitiba, no auditório do Círculo de Estudos Bandeirantes, por iniciativa do CPFC – Centro Paranaense Feminino de Cultura.

Ano passado o evento ocorreu na sede nova do CPFC, Rua Visconde do Rio Branco, 1717, sábado, dia 16 às 17:30 com o seguinte programa:

- Alma Celta – música tradicional Irlandesa.

- James Joyce – trajetória de vida por Rubens Nogueira

- Fantasia Irlandesa – piano de Sergio Justen.

- Ulysses – a volta ao mundo em um dia, por Ivan Justen Santana.

- Leitura de poemas de James Joyce.

JAMES JOYCE – TRAJETÓRIA DE VIDA

Maurice Nadeau, editor da revista de crítica “Quinzaine Litteraire, editada há 35 anos em Paris, deu uma entrevista a Leyla Perrone – Moisés, publicada recentemente pelo caderno “ Mais” da Folha de São Paulo (13/05/2001).

Muito instrutiva a entrevista. A certa altura Nadeau justitifou a pobreza de sua obra literária citando o seu editado Leonardo Sciascia; “Nadeau não precisa escrever porque, quando ele publica os livros dos escritores pensa que foi ele quem os escreveu”…

Ler é tão importante quanto escrever. Por ser um constante leitor é que me justifico de aqui estar, ao lado do Ivan, um jovem estudioso, que acaba de acabar uma tese universitária a ser apresentada na Universidade de São Paulo. Daqui a pouco ele vai nos enriquecer, pela segunda vez, com os conhecimentos que tem sobre o romance do século – “Ulisses” de James Joyce.

Eu me contento em discorrer abreviadamente sobre o homem Joyce, na sua trajetória de vida, uma existência dramática, da qual ele filtrou os bons e maus momentos, transformando episódios reais, sonhos e delírios, em páginas imortais.

O que narro são trechos incontáveis no livro “Cartas selecionadas de James Joyce”, editado pelo seu grande biógrafo Richard Ellmann em 1975, ( Faber and Faber, Londres) e magistralmente traduzidos por Maria Luiza Nogueira. Se algum mérito houver nesta minha intervenção, neste segundo “Bloomsday”, será o de passar para os arquivos do /centro Paranaense Feminino de Cultura essa abordagem de Ellmann, que cobrem a trajetória de Joyce de 1900 a 1941.

Diz Ellmann, diz Maria Luiza, digo eu : qual a melhor maneira de se conhecer um homem, principalmente um escritor? O primeiro pensamento é : pelas suas obras o conhecereis.

De fato, pelas obras de Joyce muita coisa se aprende a respeito de sua cultura, suas convicções, sua técnica de contista e romancista, sua cultura, suas convicções, sua técnica de contista e romancista, sua capacidade criativa, suas obsessões, ódios e amores, além da revolução intelectual que introduziu no conceito de narrativa e do uso inovador de linguagem.

Seus objetivos como escritor, as motivações fundamentais de seus temas, a reiteração de algumas ideias e o sentido universal de seu pensamento criador – tudo isso pode ser aprendido na leitura de suas obras.

Mas o homem Joyce, que tão autobiograficamente se expôs em suas lembranças de incidentes vividos ou observados desde sua infância e adolescência até a sua vida adulta em Dublin magnificamente trabalhados em contos insuperáveis como em “Os Dublinenses”, ou em “ O Retrato do Artista quando Jovem” e em seus romances “Ulisses” e “Finnegans Wake” excitam nossa curiosidade a respeito de sua personalidade e seu atuar no dia a dia, seu temperamento e caráter e queremos saber mais sobre a força propulsora que até o fim de sua vida o manteve firme no seu propósito de ser artista, esposo e pai amantíssimo, e escritor reconhecido e aclamado mundialmente.

Começou a escrever aos nove anos, e seu primeiro texto tinha conteúdo político. Abordava a vida de Charles Steward Parnell, líder popular. Outros trabalhos dessa época incluíam contos e pequenos trechos em prosa chamados “Silhouttes” e uma série de poemas intitulada “Moods”.

Já na faculdade, em 1900 escreveu o ensaio “Drama da Vida” defendendo o teatrólogo Ibsen. Em 1901 escreveu um ensaio contra o Teatro literário irlandês de J.B. Yeats e outros. Considerava provinciana sua linha de pensamento. Queria que a Irlanda fosse mais europeia, culturalmente mais avançada.

Mas o passo mais importante na vida emocional de Joyce foi encontrar Nora Barnacle em junho de 1904. Começaram a sair juntos em 16 de junho e se apaixonaram. Joyce usou essa data inesquecível e mais tarde a chamou o “dia de Ulisses” e encorajava seus admiradores a chama-la “Bloomsday”. Saíram de Dublin em 8 de outubro de 1904.

1904 – 1915

Até março de 1905 o casal ficou em Pola, pequena cidde, posto naval do império austro-húngaro. Foi um exílio temporário. Dali Joyce seguiu para Trieste onde permaneceu até 1915, lecionando inglês na Escola Berlitz. Joyce escrevia muito. Estudava italiano e alemão. Os contos do livro “Os Dublinenses” foram escritos nesta época. Vivia insatisfeito e agitado. Em 1905 nasceu Giorgio, o primeiro filho. Persuadiu seu irmão Stanislau a ir morar com ele. Mas não se entendia. Em 1906 Joyce aceitou emprego em um Banco, em Roma, e lá se foi com Nora e Giorgio. Não gostou de Roma nem do trabalho. Nesse período frustrou-se com a recusa de um editor que prometera publicar “ Os Dublinenses”. Em 1907 saiu o livro “Chamber Music” para grande satisfação de Joyce. Sua vida continuou desorganizada emocional e financeiramente. Lia muito e escreveu contos para “ Os Dublinenses”, esquematizou “ Os Mortos” e começou a planejar outro conto – “ Ulisses” – que mais tarde tornou-se um romance.

Saiu de Roma em fevereiro de 1907 e voltou a Trieste. Em julho nasceu Lucia Anna, sua filha. Ele estava hospitalizado, atacado de febre reumática.

Mesmo doente terminou “ Os Mortos” e começou a transformar Stephen Hero em “ O Retrato do Artista quando Jovem”. Dava aulas particulares de inglês e sobrevivia precariamente.

Em 1909, com o filho Giorgio, visitou a Irlanda. Para seu desgosto ouviu de um velho amigo a confissão de um encontro amoroso com Nora em 1904. Era mentira, mas Joyce usou o tema da traição no “Retrato”, na peça “Exilados” e no “Ulisses”.

Tentou, em vão, ganhar algum dinheiro com a venda de tecidos, administração de uma rede de cinemas, a ajuda de suas irmãs.

Em 1912 visitou a Irlanda pela última vez. No ano seguinte conheceu Ezra Pound e daí em diante seu nome começou a brilhar. Ezra o ajudou de todas as maneiras e por muitos anos. De início conseguiu editor para “ O Retrato” em capítulos. Em 1920 em carta a Pound, Joyce dizia que morava em pensão com outras onze pessoas. Não encontrava paz para escrever e a miséria era grande. Não tinha roupas decentes. Usava as botas do filho, dois números maiores.

O início da Primeira Guerra Mundial não afetou muito a vida de Joyce. Continuou a dar aulas em uma escola de comércio. Mas quando em 1915 seu irmão foi prisioneiro de guerra e a Itália declarou guerra contra o império autro-húngaro, Joyce saiu de Trieste e asilou-se em Zurich, na Suíça.

1915/1920

Superando enormes dificuldades, Joyce consolidou sua posição literária. “ O Retrato” foi publicado nos EUA em 1916. Logo depois “Os Dublinenses”. Em 1917 saiu a edição inglesa de “ O Retrato”. “ Ulisses” continuava sendo escrito. Era a “work in progess” e já despertava curiosidade da crítica. E foi publicado em capítulos em revista americana entre 1918 e 1920. Ao mesmo tempo saia à luz “ Exilados”, em inglês, e em Munich a peça era encenada em alemão.

O poder criativo de Joyce explodiu em Zurich. Confiança, extravagância, exuberância marcavam seu talento.

Tinha um público leitor internacional e isso amenizava suas diferenças com a Irlanda. Joyce viveu e agiu intensamente. Nessa época iniciou um processo contra o Império Britânico e outro contra o Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra. Voltava a expressar a vitalidade que marcara seus anos de juventude em Dublin.

Mas o tempo, a vida apertada, a saúde o apoquentava. Tinha problemas nos olhos. Em 1917 sofreu um ataque de glaucoma e foi operado. Foi a primeira de 11 operações nos olhos, nos quinze anos seguintes.

Quando a Guerra terminou ( 1918) Joyce retornou a Trieste, por pouco tempo. Seguiu para Paris em 1920. Ali acompanhava a versão francesa de seus livros e lutava para publicar o “Ulisses”. Teve a ajuda de Ezra Pound todo o tempo.

Paris, 1920 – 1939

Viveu em Paris de 1920 a 1939, início da 2ª Grande Guerra. Foi uma fase prazerosa. Era paparicado pela intelectualidade. Nos primeiros dez anos pontificou como inovador das letras.

Foi em Paris que uma mulher Sylvia Beach, dona de uma livraria – a Shakespeare & Company – ofereceu-se para publicar o “Ulisses” integral.

No dia 2 de fevereiro de 1922, quando Joyce fazia 40 anos o livro saiu a lume. Grande acontecimento! Período de vibração e entusiasmo.

Os problemas financeiros, de saúde, e os de família, porém não lhe davam trégua. Mudavam de residência constantemente. Nora estressou-se e mandou-se para a Irlanda com as crianças. A Guerra Civil Irlandesa desaconselhava a permanência de Nora no país e ela voltou, para gáudio de Joyce. Ele não vivia sem ela. Eram apaixonados. Casaram-se legalmente em 1931.

Com a calma interior que a companheira lhe propiciava, Joyce começou a dar forma à sua ideia para um outro livro : a visão noturna da vida do homem, já que “Ulisses” fora a visão diurna.

Usaria as técnicas do sonho e romperia o uso normal da linguagem introduzindo palavras estrangeiras e palavras criadas por ele. Romperia com a “cronologia lógica para penetrar no sentido atemporal do sonho”. Começava a nascer o “Finnegan’s wake”.

Muito combatido pelos amigos e até o irmão de Joyce, o livro ficou pronto 16 anos mais tarde – 1939, após grande sacrifício, porque os olhos de Joyce fizeram-no sofrer muito com sucessivas operações.

Quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial – setembro de 1939 – Joyce retirou-se para um vilarejo perto de Vich, não ocupado pelos alemães. Sua vida e negócios em completa confusão. A filha Lúcia, internada com a mente perturbada. A esposa de Giorgio sofrera um colapso nervoso. O casal encontrou no neto Stephen o apoio moral de que precisavam.

Após a queda de Paris, a debandada geral dos amigos, inclusive Samuel Beckett. Finalmente o exílio em Zurich. Joyce estava exausto, deprimido, com muitas dores no estômago. Operado às pressas, não resistiu. Uma úlcera perfurada tirou-lhe a vida em 13 de janeiro, às 2:15 da manhã. O ano era 1941.

(Copiado do livro : Relações Insensatas ou a Cinderela que Veio do Sul & Uma certa Mixórdia, por mim publicado em 2002, em Curitiba – Paraná )

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5 de abril de 2012

A PERDER DE VISTA

Marcio Nogueira

Dialogo

Ele: Eu te darei a torre sob o rumor das ondas.

E peço apenas o teu olhar.

Aceso.

Verde em meu deserto sem lágrimas.

Ela: Eu te prometo.

A música do sangue.

Será um louvor a ti.

Ele: E a tua voz há de murmurar.

Alegria.

Nos vazios mármores, exílio da alma.

Ela: Eu te darei a nudez da vida.

E as tuas mãos.

Em gesto mais claro que a brisa.

Hão de tocar minha face exausta.

Desfazendo as cicatrizes que desenham a palavra morte.

Marcio Moura
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29 de março de 2012

O QUE ACHO

Há, no ar, além dos aviões de carreira, um evidente desencanto com a marcha dos acontecimentos. Marcha pra frente, bem entendido. Por que, não existe democracia sem oposição. Esta, porem, precisa ser inteligente, isenta de preconceitos e capaz de separar o joio ( a juízo dela) do trigo. A meta é, ou deveria ser, o progresso da Pátria. Criticar, oferecer alternativas válidas, tudo bem. Agora, torcer contra, francamente…

No momento em que o país vai assumindo a posição de ator global no primeiro escalão, seria mais do que razoável que, sem renunciar ao papel de opor-se, houvesse uma espécie de todos juntos vamos, em lugar dessa coreografia maiqueljequesoniana de passos pra trás.

Até gostaria de estar completamente errado, mas… Mas de quem estou falando? Da mídia em geral, com as exceções de praxe.

É sabido que, para além da lenga-lenga dos manuais de redação, a imprensa é um negócio. Se você tem dúvida, leia o depoimento de Alberto Dines, homenageado pela ABI no seu Jornal deste mês. (Janeiro de 2012)

Jornalista desde 1948, publicitário, relações públicas, executivo de empresa multinacional, conheci, participei desse mundo nos dois lados do balcão. Sei o que vi e ouvi e acho o seguinte: existem os negociantes e existem os idealistas, os que estão a serviço de um ideal e os que praticam uma oposição burra.

Pelo que leio, deduzo que : Guilherme Fiuza, Marco Antonio Rocha, Miriam Leitão, Demétrio Magnoli, Merval Pereira, Dora Kramer, Zuenir Ventura; e abaixo deles : Ricardo Noblat, Nelson Motta e Arnaldo Jabor (Todos – os primeiros e os subs – somados, como oposição, não dão nem meio Carlos Lacerda. É o que acho.

O que acho – Parte 02

Não deu outra. A edição 375 do Jornal da ABI trouxe a complementação da entrevista concedida por Alberto Dines na edição de Janeiro.

Não deu outra. Ele se revela um homem de luta, um incansável defensor da liberdade de imprensa e expende suas opiniões, lúcida e corajosamente, não escondendo sua frustração com donos de jornais, mas persistindo até sempre. Com mais de oitenta anos de idade, Alberto Dines é um titã, com muita convicção e energia para conduzir-se como profissional inteligente, sagaz e independente.

Professor de jornalismo, escritor, tradutor, biógrafo, empresário, Alberto Dines é um exemplo para jovens ambiciosos ou idosos aposentados.

O QUE ACHO – Parte 03 ( final)

Fui sócio da ABI nos anos 40, 50, 60. Nos anos 70 deixei de pagar as mensalidades. Enquanto sócio frequentei assiduamente a suntuosa sede, sua biblioteca, auditório, restaurante, sala de jogos e ainda usufrui dos serviços de odontologia que eram oferecidos.

Há três anos ao desejar readquirir minha carteirinha, frustrei-me. Ao contrário do Sindicato dos Jornalistas, onde resgatei meu cadastro, na Casa do Jornalistas, meu nome era desconhecido.

Após a interferência de Mauricio Azedo restabeleci minha condição de associado – agora na categoria de escritor aposentado. Não foi de todo ruim. Azedo é um doce companheiro, não obstante as intempéries, - principalmente políticas – que enfrenta a vida inteira. Está presidente há anos e sua atividade é notável e notada. Sem demérito para antecessores ( conheci alguns) Mauricio Azedo lembra muito, mas com serenidade e bonomia, o anjo tutelar que foi o mosquito elétrico, o inesquecível Herbert Moses.

PS – Ainda em louvor à Casa do Jornalista fica o registro do meu encantamento ao ler na edição 374 do Jornal da ABI ( Janeiro de 2012) a matéria focando a pessoa do meu companheiro do “Diário de Notícias” Adayl José de Paula. Um sobrevivente de dias áureos da imprensa carioca Adayl é uma personalidade adorável, um menino de 80 anos – chargista, poeta, compositor, generoso participante de movimentos em prol dos mais necessitados, Adayl mereceu muito essa tardia homenagem, completando a que recebeu do Sindicato dos Jornalistas, em longo, alegre e movimentado café da manhã, quando completou 80 anos.

Rubens Nogueira

Depois do céu quem mais faz milagres é o Amor. – Padre Roque Schneider

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