
Bem nossos. Érico Veríssimo: Luiz Fernando Veríssimo; Graciliano Ramos; Orígenes Lessa; Ivan Lessa. Do primeiro conheco uma história que talvez nem o filho saiba.
Quem me contou foi um colega de ginásio do autor de “O tempo e o vento”. Os dois meninos, dirigiam o jornalzinho da Escola, na cidade onde nasceram : Cruz Alta – RS. Detalhe: quem redigia era meu amigo e Érico Veríssimo fazia as ilustracões. (Em toda a sua vida, Erico, antes de escrever o texto, rabiscava as cenas e os personagens de seus romances).
Trabalhei com o filho de Graciliano Ramos. O ainda jovem filho do autor de “Vidas Secas” foi meu professor de texto publicitário. Jornalista e escritor Ricardo deixou extensa obra – especialmente livros de contos.
Orígenes Lessa e eu formamos dupla na redacão de campanhas de interesse público, em duas ocasiões. Ficamos amigos. Descendente de tradicional família evangélica (Seu pai Vicente Themudo Lessa fundou, em 1902, a Igreja Presbiteriana Independente). Ele, autor de muitos livros, academico, teve o romance “O feijão e o Sonho” adaptado para novela de TV. Seu filho, Ivan seguiu-lhe a carreira e há muitos anos mora em Londres, onde trabalha na BBC.
Quando jovem, em Copacabana, fez furor com seus textos humorísticos, cronicas e o romance “Garotos da Fuzaca”.
- Trecho : Levavam no Rian, “Aladim e a Princesa de Bagdá”, com Cornel Wilde, Evelyn Keyes, Phil Silvers e a estupenda Adele Jergens, que, como muitos de nós, prometeu tanto e não deu em nada”. Dele as frases : “No Brasil, de 15 em 15 anos tudo é esquecido” e outra :”Escrever é fácil, difícil é tomar notas”. Foi um dos fundadores do “O Pasquim”
Há outros casos de filho que segue a carreira do pai. No momento – lembro-me do filho do Rubem Fonseca. Na Franca há séculos os Dumas, pai e filho – Você deve se lembrar de outros – menos Machado de Assis, que não quis deixar “o legado de nossa miséria”.
Dos Veríssimos sou leitor apaixonado. Menos “Incidentes em Antares”, conheco todos os livros de Érico. Pessoalmente, somente o vi uma vez, em Copacabana, no Posto 6, em noite quente de domingo, de mãos dadas com a sua amada Mafalda.
Em Curitiba, no Guairinha, na década de 90, assisti a Luiz Fernando tocar saxofone em show com os irmãos Caruso. Meu primeiro contato com sua literatura foi peca teatral : “O analista de Bagé”, na década de 80 em Foz de Iguacu, para nunca mais deixar de lê-lo, no “Estadão”, em “O Globo”, ou assistir na TV tantas e tantas comédias por ele escritas. Daí que, ao receber de presente o livro “Em algum lugar do Paraiso”, alegrei-me como uma crianca. A edicao é linda, repleta de bossas do moderno design gráfico e o texto tem a marca do humor burlesco – fino/grosso (1*) – desse portalegrense super culto e genial. Adorei “et pour cause” a historinha “uma mulher fantástica” . Tia Amanda é o que lá está dito : “Celinha chegara à conclusão que as pessoas às vezes podem ser fantásticas demais”. Eu que o diga…
PS: A cena do do homem ( Adão) estendendo o dedo para não perder contato com o Deus Pai, de barba longa na obra prima de Michelangelo, na Capela Sixtina, citada por Frei Betto ( O Globo – 12-02-12) lembra que temos, neste Paraiso Tropical, um aprendiz de Demiurgo, no momento imberbe. Há tempos ele proclamou: brevemente o povo vai assistir: “o milagre do crescimento”… economico.
Esse “milagre”, quanto maior, melhor !!!
(1*) – “E foi depois de comer o fruto proibido, quando a terra entrou na sombra da noite e os dois se deitaram lado a lado, que Adão sentiu seu membro, que ele pensara que fosse só para fazer xixi, se mexer. E avisou à Eva: - É melhor chegar para trás por que eu não sei até onde este negócio cresce”. Pág.8.