28 de julho de 2011
PERFIL - JOÃO DE ANDRADE - 19-4-1930
Não me lembro quando morreu. Conheci-o no seio da família, irmão do Quincas e de Dona Guilhermina. Não sei se foi casado. Pouco contato tivemos. Nos encontros festivos dos aniversários e ocasionalmente em saudosos almoços dominicais. Boêmio, contumaz apostador nas patas dos cavalinhos do Jóquei Clube, apreciador de uma Brahma gelada, João era o típico “tio” que dá preocupação à família, mas faz a alegria dos sobrinhos e sobrinhas. Como todo ser, livre e descompromissado com as rígidas regras da vida normal, João era alvo da admiração das pessoas enquadradas – era amado! Uma dessas pessoas nem era parente. Maria do Carmo, uma doce criatura, que trabalha para a família há muitos anos, conheceu e cuidou de João de Andrade, quando ele fragilizou-se, exposto que era às intempéries da vida. E guardou, com muito carinho, dois cadernos : o primeiro “Tangos e boleros” editado por José Duba (quem era? Acredito que um comerciante que gostava de música – no folheto tem um anúncio : dubinha e guirlandia – moda infantil, que ficava na Av. Ministro Edgar Romero, 189, Madureira). O segundo, caderno escolar, contem letras de serestas, às centenas escritas à mão pelo próprio João, imagino que o Hoby de uma vida inteira. Desse documento valioso transcrevo :
Canção de Orestes Barbosa e Francisco Alves – com o poema de Orestes Barbosa (NÃO SEI) sendo gravado em disco de 1934 da Victor 33.792.
Minha boca, o seu nome, não revela
Que eu soluce, o destino, assim o quer
Todo mundo, pergunta quem é ela
E eu não digo, quem é essa mulher
Eu não digo, que cor, tem seus cabelos
E não digo, que cor, tem seu olhar
Pois num verso, de amor, para dizê-los
Só se eu quisesse, mais, me torturar !
Se cantando, e dissesse aqui, seu nome
Revelava, este amor, que hei de guardar
Este amor, tão voraz que me consome
E, eu não quero, e não posso revelar
Como sofre, calada, a alma ferida
A lembrar, a mulher, que eu não beijei !
O seu nome, guardarei por toda vida
Se ela guarda o meu nome, isso…não sei ?
O que João considerava e escreveu : “Minha canção predileta.” Grande João !!!
O Brasil cresce e o mundo reconhece
criado por rubens_n
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