Vez por outra Celso Milan submete à minha apreciação seus estudos bíblicos. Ele é da área econômico-financeira, mas um cristão de tempo integral. Quem sou eu para avaliar seu trabalho. O que faço, o que sempre fiz foi aprender com ele, reler com ele o livro sagrado, em reflexões dignas do mais competente teólogo. Seu mais recente texto: “A Bondade de Deus” confirma minhas palavras.
A BONDADE DE DEUS
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera”.
Is. 64:4
“Disse Deus a Salomão: Porquanto foi este o desejo do teu coração, e não pediste riquezas, bens ou honras, nem a morte dos que te aborrecem, nem tampouco pediste longevidade, mas sabedoria e conhecimento…” Sabedoria e conhecimento são dados a ti, e te darei riquezas, bens e honras, quais não teve nenhum rei antes de ti, e depois de ti não haverá teu igual”.
II Cr. 1:11 e 12
Quanto mais as pessoas prosseguem em conhecer ao Senhor, mais se encantam com o seu caráter.
Um Criador que trabalha para as suas criaturas.
Trata-se de uma inversão de valores que só pode ser explicada pelo grande amor com que Ele nos amou.
Por isso, Deus sempre vai além.
Quando o Criador trouxe à existência os seres humanos, estabeleceu que a vida é uma concessão condicional. Não é para ser vivida em iniquidades.
“Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.
Ez. 18:4
Então, todas as práticas morais que adotamos e decisões que tomamos sem o referencial bíblico são de nossa exclusiva responsabilidade.
Porém quando se trata de decisões sobre a vida dos nossos semelhantes, as coisas mudam de conotação.
Porque as decisões que tomamos por outras pessoas, sem que elas possam anuir ou opinar, constituem abuso de poder se as pessoas não forem devidamente compensadas.
Parece que Deus reconhece esse princípio.
Todos os seres angelicais trazidos à existência por decisão unilateral de Deus, porque não havia como consultá-los se queriam existir, foram colocados no paraíso (celeste) e adotados como filhos.
“Sobre que estão fundadas as suas bases (da Terra), ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus (anjos).
Jó 38:6 e 7
Entretanto, apenas Adão e Eva receberam a mesma compensação.
Por isso, pelo inalienável princípio da equidade divina, todos aqueles que aderirem a Jesus gozam dos mesmos direitos dos seres angelicais.
“Jesus lhe respondeu (ao malfeitor): Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
Lc. 23:43
“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que creem no seu nome”.
Jo. 1:12
Assim sendo, uma vez criados os seres angelicais e humanos, e considerando-se que o bem e o mal (como possibilidades) são eternos, todos podem ser tentados pelo mal a qualquer momento, à exceção de Deus.
“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e Ele mesmo a ninguém tenta”.
Tg. 1:13
Então, se a vida não é para ser vivida em pecados, e se Deus, em sua própria casa, o universo, não pratica iniquidades (não se deixa tentar pelo mal), por que alguém se atreveria a vindicar o direito de praticá-las?
Imagine-se um homem possuidor de todas as mulheres do mundo; ele não poderia ser tentado pela concupiscência da carne.
E, uma pessoa dona de todas as riquezas da terra; ela não poderia ser tentada pela cobiça dos olhos.
E, um outro, possuidor de todo o poder terreno; ele não poderia ser tentado pela soberba do espírito.
Mas não é por essas razões que Deus não pode ser tentado pelo mal.
Deus não pode ser tentado pelo mal porque Ele é amor. Trata-se de uma característica muito mais relevante do que ser capaz de amar.
“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”.
I Jo. 4:8
Afirmar que uma pessoa ama não nos permite inferir que ela não seja capaz de odiar. Mas, declarar que uma pessoa é amor significa concluir que ela não é capaz de odiar pelo simples fato de que não há espaços nela para o mal penetrar.
É, pois, pelo seu caráter amoroso que Deus sempre vai além. Muito mais além do que simplesmente compensar. Ele se compromete a recompensar todos os que trilham as veredas da justiça.
“Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há recompensa para as tuas obras, diz o Senhor, pois os teus filhos voltarão da terra do inimigo”.
Is 31:16
Até parece um contra-senso, uma vez que praticar a justiça e a equidade é dever de todo ser pessoal criado por Deus; não depende de galardões, promessas ou recompensas.
Porém o nosso Deus é mesmo assim.
Quando Ele apareceu a Moisés no monte Horebe, no episódio da sarça ardente, declarou:
“Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus”.
Ex. 3:6
Mas quando se dirigiu ao povo de Israel, na oportunidade da promulgação das suas leis, tempestivamente, mudou o seu discurso.
Ele primeiro ofereceu exclusividade:
“Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”.
Ex. 20:2
Para depois vindicar exclusividade:
“Não terás outros deuses diante de mim”.
Ex. 20:3
Para que ninguém viesse a dizer: Ah! Ele é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, mas não é o meu Deus.
Que coisa surpreendente!
Deus, Senhor absoluto do universo independentemente de reconhecimentos, primeiro oferece exclusividade aos seres humanos para depois vindicar exclusividade.
Porém, mais do que compensar ou recompensar, existem promessas superiores nas Escrituras: a de ser adotado como filho de Deus todo aquele que aderir a Jesus.
“… E em amor, nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.
Ef. 1: 4 e 5
E a de ser elevado às categorias de sacerdote e ministro do Deus Todo-Poderoso.
“Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros do nosso Deus; comereis as riquezas das nações, e na sua glória vos gloriareis”.
Is. 61:6
Essa profecia cumpriu-se no momento da morte de Jesus, quando o véu do templo rasgou-se de cima a baixo. Significa dizer que não há mais necessidade de um sumo sacerdote humano como mediador, porque todo aquele que adere a Jesus, torna-se um sacerdote do Deus Altíssimo.
“Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas”.
Mt. 27:51
E pode ir diretamente a Deus por intermédio de Jesus.
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Jo. 14:6
Porém, o Senhor extrapolou.
Além de compensar os seres humanos com a possibilidade do paraíso celeste, Deus os salva da morte eterna, adota-os como filhos, recompensa-os com um galardão segundo as suas obras e ainda vai duplicar a honra de todos eles.
“Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra, em lugar de afronta exultareis na vossa herança; por isso na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria”.
Is. 61:7
E tudo isso porque Deus sempre vai além; muito mais além do que pedimos ou pensamos.
“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a Ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.
Ef. 3:20
Dizer que Deus é bom é pouco para Deus, porque Deus é muito bom.
“Divulgarão (as gerações) a memória da tua muita bondade e com júbilo celebrarão a tua justiça”.
Sl. 145:7
Consequentemente, a misericórdia precede todas as decisões divinas.
“O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras”.
Sl. 145:9
Quanta prodigalidade!
E quanta magnanimidade!
De eternidade a eternidade, Deus é muito bom, pródigo, magnânimo e misericordioso.
Por isso, por tanto e por muito mais, todo ser que respira louve ao Senhor.