27 de dezembro de 2010

MANHÃ DE NATAL CARIOCA

O bairro de Botafogo dorme o sono dos justos. E de alguns injustos que às 3 da madrugada falavam e riam alto na travessa. Agora nove da manhã as ruas estão vazias. O homem embarca no ônibus e precisa de muito cuidado para não incomodar o sono profundo de duas jovens – uma no colo da outra – ambas de boca aberta e pernas esticadas no banco ao lado do motorista. A cobradora tem o semblante cansado, de quem mal dormiu ou dormiu muito mal.

Copacabana está acordando. Nas ruas internas somente homens e mulheres idosas caminham arrastados pelos cães pequenos, médios e grandes.

Um dos grandes, de pelo avermelhado parece um leão, com juba, ponta do rabo peludos – e o resto do corpo tosado, corte zero.

Impressiona a infra-estrutura para o espetáculo popular hoje a noite, tendo como estrela principal o cantor Roberto Carlos. Ele e seus convidados adentrarão o palco por uma passarela que vai do Hotel Copacabana Palace até a praia em frente. Duas horas depois de uma promenade na qual o homem conversava de si para consigo ( dialogo às vezes silencioso, às vezes ruidoso) olhando a paisagem, admirando o mundo de cores à sua volta, refletia : “ é rapaz : você já foi garoto de Ipanema, depois foi bicho do Paraná, e agora : quer se tornar o velhinho de Copacabana? “

Sendo a vida tão curta, vamos curti-la muito.

criado por rubens_n    14:53 — Arquivado em: Sem categoria

ÁGUA, VIDA

Fim de ano é tempo de balanço. Um balanço muito pessoal refere-se a quanta água bebi neste ano da Graça de 2010. Comecei a contar a partir de Abril, quando passei a comprar água engarrafada, bujões de 20 litros. Até hoje, 18 garrafões, isto é, 360 litros. Não os bebi sozinho e não só água como liquido. O que isto quer dizer? Sei lá

Sendo a vida tão curta, vamos curti-la muito.

criado por rubens_n    14:48 — Arquivado em: Sem categoria

NA ONDA DA EMOÇÃO

Em manhã sem sol chega o Natal. A televisão mostra variadas manifestações de solidariedade – oficiais, espontâneas, gestos individuais – e torna impossível a impassibilidade. Se não move o corpo, move o coração essa onda de emoções e faz rememorar dias outros, outras épocas, pais, irmãos de sangue e de fé, parentes, amigos e pessoas das ruas, dos bares, da estação, do mercadinho, gente da cidade e gente do sitio. O homem que já muito viveu e vivenciou conscientemente mais de setenta natais, agora está sozinho, quieto, por decisão unilateral, mas não esquece outras manhãs e dias semelhantes, das pessoas com quem confraternizou e que, ou morreram ou não mais foram vistas, o que é outra maneira de morrer.

criado por rubens_n    14:40 — Arquivado em: Sem categoria

CRÔNICAS PARISIENSES

A última vez que vi Paris é o título de um filme e de uma canção, os dois inesquecíveis.

E neles pensei o tempo todo ao ler os originais do livro de Leny Werneck. Ela verdadeiramente ama a cidade-luz e a vida parisiense transparece em cada linha que escreve. São crônicas de amor, manifestações de alguém que viveu o cotidiano, aspirando o ar, os cheiros, celebrando as cores, as temperaturas, as ruas, mergulhando fundo nos movimentos artísticos e culturais e na vida das pessoas com quem cruzou por cerca de vinte anos. Ao ler essas páginas plenas de calor humano e de episódios emocionantes, escritas por uma mulher sensível, no ápice do seu poder criador, deu-me vontade de rever aquela cidade milenar e sempre moderna, pois The last time I saw Paris”, faz um tempão! Outros brasileiros caíram de amores por Paris. Rubem Braga, Guilherme Figueiredo, Maluh de Ouro Preto para não falar de estrangeiros como Hemingway e Cole Porter. O “Crônicas Parisienses” (título provisório) mas para mim definitivo é um Hino de Amor à cultura francesa. Espero ler novamente quando for editado e se posso sugerir, enriquecido com fotos do acervo da autora.

Sendo a vida tão curta, vamos curti-la muito.

criado por rubens_n    14:34 — Arquivado em: Sem categoria

16 de dezembro de 2010

ITAIPU BINACIONAL : miniatura da biocivilização

LEONARDO BOFF - TEÓLOGO

Há hoje na cultura mundial muita desesperança e perplexidade generalizada. Não sabemos para onde estamos rumando. O vôo é cego rumo ao desconhecido. O que mais dói é a falta de alternativa ao modelo vigente, que visa grande acumulação em vista do acelerado consumo, à custa da depredação da natureza e da geração de gritantes injustiças sociais a nível mundial.
Com as “externalidades” surgidas (aquecimento global, escassez de recursos, desequilíbrio global do sistema-Terra), a sensação predominante é que assim como está o mundo não pode continuar. Temos que mudar. Por isso, por todas as partes, surgem novas visões e especialmente práticas que nos devolvem certa esperança de que outro mundo é possível e necessário. A nova centralidade gira ao redor do cuidado da vida, da salvaguarda da Humanidade e da proteção do planeta Terra. O que vai nascer será uma biocivilização, ou uma Terra da Boa Esperança (Ignacy Sachs).

Eis que em nosso país encontramos uma miniatura do desejo coletivo, uma pequena antecipação daquilo que deverá ser dominante na Humanidade: o projeto “Cultivando Água Boa” da Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná.
Ai, num acordo entre Brasil e Paraguai, se construiu a maior hidrelétrica do mundo com um reservatório de água de 176 quilômetros de comprimento, onde estão estocados 19 bilhões de metros cúbicos de água, utilizados por 20 turbinas que geram 14 mil megawatts.

Qual foi o “insight” de seus diretores Jorge Samek e Nelton Friedrich já nos inícios de sua administração em 2003? Que a água não se destina apenas para produzir energia elétrica, mas também para gerar todo tipo de energia necessária aos seres que dependem vitalmente da água, especialmente os humanos.

Foi então que se modelou o projeto “Cultivando Água Boa”, que envolve os 29 municípios lindeiros nos quais vivem cerca de um milhão de pessoas, com a criação de aves e suínos, das maiores do país. Trata-se de um projeto altamente complexo que envolve praticamente todas as dimensões da realidade, resultando numa verdadeira revolução cultural, pois este é o propósito dos milhares que implementam o projeto. É exatamente disso que nós precisamos: de um novo ensaio civilizatório, testado numa miniatura, que seja viável dentro das condições mudadas da Terra em processo de aquecimento e de exaustão de seus recursos. O mote diz tudo:”um novo modo de ser para a sustentabilidade”.

Sempre afirmei que a sustentabilidade foi sequestrada pelo projeto do capital, esvaziando-a para impedir que significasse um paradigma alternativo a ele, já que é intrinsecamente insustentável. Libertada deste cativeiro, ela adquire valor central de um novo arranjo civilizatório que estabelece uma equação equilibrada entre ser humano-natureza-desenvolvimento-solidariedade generacional. Em Itaipu se conseguiu instaurar esta equação feliz. Começaram corretamente com a sensibilização das comunidades. Quer dizer, iniciaram com o alargamento das consciências, convocando nomes notáveis do pensamento ecológico, como F. Capra, Enrique Leff (Pnuma latinoamericano), Marcos Sorrentino, Carlos e Paulo Nobre entre outros. Eu mesmo acompanho o projeto desde o seu início. Definiram o espaço não pelos limites arbitrários dos municípios, mas pelos naturais das hidrobacias. Envolveram todas as comunidades, criando comités gestores de cada bacia, legalizados pelas prefeituras. Sabiamente se deram conta de que a educação ambiental representa o motor da mudança de ser, de sentir, de produzir e de consumir. Não é isso a inauguração de uma revolução cultural? Formaram algumas centenas de formadores ambientais, atingindo milhares de pessoas. Está surgindo uma nova geração que busca um modo sustentável de viver.

No próximo artigo quero detalhar o vasto campo de atividades que vão desde o aproveitamento dos dejetos sólidos gerando energia, até a inovação tecnológica com o carro elétrico, a pesquisa sobre o hidrogênio, a criação do Centro de Saberes e Cuidados Ambientais e a da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Quem acompanha aquele projeto sai com esta certeza: a Humanidade é resgatável, ela tem jeito, é possível, como dizia Fernando Pessoa, criar um mundo que ainda não foi ensaiado.

(Obrigado Rubens da Silva Pontes) !

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criado por rubens_n    10:27 — Arquivado em: Sem categoria

ADVENTO

Texto de José Dionísio Ladeira

Um pensamento contínuo: “Se não é possível a igualdade absoluta, que pelo menos não exista tanta desigualdade…”

Talvez essa seja uma das razões por que Deus resolveu fazer-se homem e viver como pobre no meio dos pobres e ter-nos deixado o novo mandamento:

– Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Estou meditando no espírito do Natal, que envolve tanto as pessoas, a ponto de muitos se preocuparem:

– Precisamos dar a esses pobres uma cesta de alimentos!

Uai! E nas outras datas?! Nos outros dias?!…

Lembro-me do Lula eleito em 2002, com o problema na cabeça:

– Cada pessoa precisa ter, pelo menos, três refeições diárias!

E me recordo da solidariedade que sentimos na própria pele nos anos de 1947 e 1948… Morávamos – papai, mamãe, Simão, Geraldo, Braz (que faleceu no Seminário em 1951) e eu – num cortiço de propriedade de Eurico Tibúrcio, ali próximo à ponte, em frente à zona boêmia.

Oito casas emparedadas em círculo mal-feito, ocupando o espaço entre a rua empoeirada e o leito do ribeirão ameaçador (a enchente de 1948 levou praticamente toda a parte encostada no São Bartolomeu). Oito famílias mais ou menos do tamanho da nossa. Uma só privada. Um único chafariz com a solitária torneira.

Meu pai varria a Avenida da “Escola” em troca de meio salário mínimo, que atrasava meses. Mamãe, na máquina de mão costurava – com licença do Cônego – para as putas do Muzungu. Eu, o filho mais velho – misto de telegrafista e mensageiro trabalhando de graça nos correios –, tinha como renda as gorjetas dos “meninos da reta”.

Lógico que D. Virgínia, D. Argina, D. Duquinha, D. Mulata (avó materna do Danilo), nos forneciam roupas e sapatos usados. D. Mimi Bhering nos comprava a manteiga, retirada da esvaziada cooperativa da ESAV. Luiz Teixeira Fontes, Juca do Herculano e Sebastião Hipólito dos Santos (o Tinho) nos vendiam algo fiado. Mas quantas e quantas vezes, percebendo o caçula Simão choramingando – “vontade ê carne…” – e mamãe não tendo lavado nada na torneira, eram as vizinhas que nos socorriam!

– Ah! O pão nosso de cada dia nos dai hoje…

Por isso participo da preocupação constante do Lula:

– Cada pessoa precisa ter, pelo menos, três refeições diárias!

E – reconheçamos – seu Governo tirou 28 milhões da linha de pobreza absoluta e atingiu a meta da ONU na redução da desnutrição infantil…

Ah! E, preservando empresas estatais – o Pré-Sal está aí –, criou condições para o prosseguimento do programa de ascensão social, inclusive com o ProUni e o sistema de cotas nas instituições federais de ensino superior.

E no advento do Governo Dilma, ainda o pensamento contínuo: “Se não é possível a igualdade absoluta, que pelo menos não exista tanta desigualdade…”

Pela cópia; Rubens Nogueira

criado por rubens_n    10:18 — Arquivado em: Sem categoria

POEMINHA AMIGO

Ela tem nome francês

Porém é brasileiríssima

Como atesta a sua tez

Est belle a professora Marcelle

nas aulas de Pilates

No espaçoso espaço aquático

ela é uma jóia preciosa

com muitos, muitos quilates

Marcelle plus que belle

na profissão ela excele

Seja homem seja mulher

Os alunos a adoram

E a cada qual ela cativa

Tenha a idade que tiver.

Para vê-la sorridente

não há quem não apele

Marcelle Sasse la belle!

Rubens Nogueira

aluno agradecido

Amigos são como flores, e devem ser cultivados com carinho

para que possamos colher o seu perfume em todas as estações…

criado por rubens_n    9:41 — Arquivado em: Sem categoria

13 de dezembro de 2010

O MEU PRESENTE DE NATAL

Sabe uma criança que insiste?

Quer por que quer um presente,

Que não merece, mas não desiste?

Sou essa criança, você é o presente:

É um sonho real, um desejo insano.

Por quê, por quê? recorra aos arcanos.

criado por rubens_n    11:30 — Arquivado em: Sem categoria

MEMÓRIA DE REPÓRTER

Lembranças, casos e outras histórias de jornalistas brasileiros, décadas de 1950 a 1980.

Um título enorme para um livro de 135 páginas, valendo, cada palavra, cada fotografia, muito mais do que possa avaliar nossa vã filosofia. Um documento precioso, pujante de vida e verdade, histórias tristes, alegres, contadas com veemência, bom humor, com raiva, melancolia…Os depoentes foram muito bem escolhidos : São homens e mulheres, empregados e patrões, cada um com sua versão dos acontecimentos que vivenciaram, decisões, atitudes, tomadas no calor das crises internas de jornais e revistas e na posição desses veículos em momentos de agitações políticas, institucionais, enfim, toda a saga que marcou as décadas de 1950 até 1980, quando começou a declinar a predominância da imprensa nascida com Gutemberg.

O Centro de Cultura e Memória do Jornalismo (CCMJ) atualmente funcionando no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro está começando maravilhosamente bem. E pela amostra desse volume promete um futuro brilhante.

Os depoimentos, que vão de Alberto Dines a Zuenir Ventura, de Evandro Teixeira a Indalécio Wanderley, são um tesouro de emoções – palavras e imagens – eternas.

Hoje, 13 de dezembro está fazendo 42 anos da assinatura do AI-05, que mergulhou de vez a imprensa no inferno da censura e do dedo-durismo.

Sendo a vida tão curta, vamos curti-la muito.

criado por rubens_n    9:27 — Arquivado em: Sem categoria

6 de dezembro de 2010

JARDIM DA SAUDADE


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Um belo nome para o antigo cemitério, cidade dos mortos e outros apelidos. Mutatis mutandis o nosso coração e a nossa mente podem ser comparados a um jardim feitos que são elementos de minerais, água, tudo que vem da terra. E são as almas de queridos que já se foram mas vivem dentro de nós.

Este ano, desde janeiro nos despedimos de alguns. Lamentamos a ausência de cada um. O mais novo ainda não completara 43 anos. A mais vivida estava chegando aos cem anos. Agora, nenhum deles têm qualquer idade. Enquanto nos lembrarmos deles estarão vivos em nossa memória, em nossa saudade:

Elin Marçal

Dorina Nowill

Edward Nogueira

Edson Gueiros Leitão

Ferdinando Bastos de Souza

Mozart Santos Mello

Fernando Silva

José Saramago

Eraldo Küster

Moacyr Werneck de Castro

Almerinda Fernandes Andrade

Pedro Macário Ferreira

Algumas igrejas têm o hábito de guardar as palmas do Domingo da Páscoa para depois queimá-las de modo que as cinzas que produzem seja usadas para marcar a fronte dos fiéis na Quarta-Feira de Cinzas; um sinal do nosso reconhecimento de que somos mortais, e como diz a Bíblia : “We are dust, and to dust we shall return”. Apenas isso, simples assim.

Sendo a vida tão curta, vamos curti-la muito.

criado por rubens_n    10:24 — Arquivado em: Sem categoria
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