Texto de José Dionísio Ladeira
Um pensamento contínuo: “Se não é possível a igualdade absoluta, que pelo menos não exista tanta desigualdade…”
Talvez essa seja uma das razões por que Deus resolveu fazer-se homem e viver como pobre no meio dos pobres e ter-nos deixado o novo mandamento:
– Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.
Estou meditando no espírito do Natal, que envolve tanto as pessoas, a ponto de muitos se preocuparem:
– Precisamos dar a esses pobres uma cesta de alimentos!
Uai! E nas outras datas?! Nos outros dias?!…
Lembro-me do Lula eleito em 2002, com o problema na cabeça:
– Cada pessoa precisa ter, pelo menos, três refeições diárias!
E me recordo da solidariedade que sentimos na própria pele nos anos de 1947 e 1948… Morávamos – papai, mamãe, Simão, Geraldo, Braz (que faleceu no Seminário em 1951) e eu – num cortiço de propriedade de Eurico Tibúrcio, ali próximo à ponte, em frente à zona boêmia.
Oito casas emparedadas em círculo mal-feito, ocupando o espaço entre a rua empoeirada e o leito do ribeirão ameaçador (a enchente de 1948 levou praticamente toda a parte encostada no São Bartolomeu). Oito famílias mais ou menos do tamanho da nossa. Uma só privada. Um único chafariz com a solitária torneira.
Meu pai varria a Avenida da “Escola” em troca de meio salário mínimo, que atrasava meses. Mamãe, na máquina de mão costurava – com licença do Cônego – para as putas do Muzungu. Eu, o filho mais velho – misto de telegrafista e mensageiro trabalhando de graça nos correios –, tinha como renda as gorjetas dos “meninos da reta”.
Lógico que D. Virgínia, D. Argina, D. Duquinha, D. Mulata (avó materna do Danilo), nos forneciam roupas e sapatos usados. D. Mimi Bhering nos comprava a manteiga, retirada da esvaziada cooperativa da ESAV. Luiz Teixeira Fontes, Juca do Herculano e Sebastião Hipólito dos Santos (o Tinho) nos vendiam algo fiado. Mas quantas e quantas vezes, percebendo o caçula Simão choramingando – “vontade ê carne…” – e mamãe não tendo lavado nada na torneira, eram as vizinhas que nos socorriam!
– Ah! O pão nosso de cada dia nos dai hoje…
Por isso participo da preocupação constante do Lula:
– Cada pessoa precisa ter, pelo menos, três refeições diárias!
E – reconheçamos – seu Governo tirou 28 milhões da linha de pobreza absoluta e atingiu a meta da ONU na redução da desnutrição infantil…
Ah! E, preservando empresas estatais – o Pré-Sal está aí –, criou condições para o prosseguimento do programa de ascensão social, inclusive com o ProUni e o sistema de cotas nas instituições federais de ensino superior.
E no advento do Governo Dilma, ainda o pensamento contínuo: “Se não é possível a igualdade absoluta, que pelo menos não exista tanta desigualdade…”
Pela cópia; Rubens Nogueira