30 de setembro de 2010

DIA DA SECRETÁRIA - 30-09


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From the desk of…

30-09 : dia da Secretária

É hoje. Ela guarda os segredos do chefe. Ela é de confiança. Ela é eficiente. Ela é dedicada.

Ela é a Secretária.

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27 de setembro de 2010

MEMÓRIAS PÓSTUMAS


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Não as minhas mas as de Brás Cubas, o belo, profundo, filosófico romance de Machado de Assis. Publicado aos pedaços na Revista Brasileira pelos anos de 1880 é um texto gostoso de ler, principalmente pelo humor que o percorre de ponta a ponta.

Como amostra e incentivo para o leitor deste Blog reproduzo as páginas 9 e 10 – Ao leitor – assinado pelo personagem :

QUE Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se êste outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.

Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nímiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.

Brás Cubas

Leia, leia - êsse é o caminho, creia!

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TELEVISÃO É CULTURA


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Tem gente que acha a televisão uma coisa chata. Há controvérsia. Também eu acho que essa máquina de fazer doido na opinião de um antigo humorista, tem hora que enche mesmo. Nesta manhã de domingo, entretanto, uma entrevista de um repórter brasileiro em Nova Iorque com uma escritora americana casada com um brasileiro prendeu-me a atenção, fez-me refletir e impeliu-me a comprar o livro dela, que rendeu um filme com Julia Roberts e Javier Barden. Vou fazê-lo e oferecer a alguém que tem merecido meu carinho e minha gratidão. Outra linda mulher em busca da felicidade.

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23 de setembro de 2010

Poesia eterna na Internet - 20


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Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

No vento.

Se desmorono ou se edifico,

Se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo :

- mais nada.

CECÍLIA MEIRELES

1901 – 2001

Precisa dizer mais?

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16 de setembro de 2010

Poesia eterna na Internet - 19


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Soneto de amor al mar

Estoy mirando el mar y su madeja

y es un cielo invertido lo que miro,

Llegan las nubes, pero em dulce giro

Un imprevisto viento las despeja.

Amor al mar, amor que se refleja,

En esta vastedad que lento estiro,

i Amar al mar acaso es uma queja!

Nace en callada longitud el canto,

Las voces de las olas se contienen,

Por um verso que pierdo, cientos venen

A volearse en la arena y en su manto.

Aqui vulven las horas que perdimos,

Lo que um dia seremos, lo que fuimos.

Este soneto do argentino Alberto Alba está emoldurado, ilustrado com uma visão do oceano atlântico, revolto e quase escuro. Alberto e Maria Luiza Nogueira conheceram-se na praia do Leblon, na década de setenta. Casaram-se foram morar na Argentina. Peregrinaram por Buenos Aires, Santiago Del Estero, Obera, Posadas e outros sítios da região das Missões. Ela lecionava e fazia palestras sobre literatura inglesa e americana. Ele escrevia, poetava e sonhava muito. Ambos já descansam na mansão celestial. Ele foi primeiro. Ela morreu há pouco mais de três anos. Ambos vivem na memória dos que os amam.

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9 de setembro de 2010

FERREIRA GULLAR - 80 ANOS

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Na década de oitenta um slogan dominava os anúncios em rádio e televisão. Era cantado e a musiquinha do jingle marcou época. O banco Bamerindus acabou : foi vendido por um real para o HSBC, mas o anuncio eu não esqueço: “ O tempo passa, o tempo voa, mas o Banco Bamerindus continua numa boa! “ Quem dera! Ferreira Gullar sim, está numa boa reconhecido e festejado em toda parte. Amanhã, dia 10 de Setembro, completa 80 anos. Quando ele chegou ao Rio vindo direto de São Luiz, no Maranhão, magro e ranzinza, logo conquistou o coração da professorinha da Tijuca Tereza Aragão, musa até então, de outro poeta, que lhe dedicou um poema no qual a chamava de aragoneza. José Ribamar tem sido incensado urbi et orbi. Merecidamente. Do volume “Toda poesia” (1950/1980) pinço o poema : “Voltas para casa”, do livro :Dentro da noite Veloz” – (1962 – 1975). No dizer de Vinicius de Moraes, Gullar “é o último grande poeta brasileiro”. Confira :

Voltas para casa

Depois de um dia inteiro de trabalho

voltas para casa, cansado.

Já é noite em teu bairro e as mocinhas

De calças compridas desceram para a porta

Após o jantar.

Os namorados vão ao cinema.

As empregadas surgem das entradas de serviço.

Caminhas na calçada escura.

Consumiste o dia numa sala fechada,

lidando com papéis e números.

Telefonaste, escreveste,

Irritações e simpatias surgiram e desapareceram

No fluir dessas horas. E caminhas,

agora, vazio,

como se nada acontecera.

De fato, nada te acontece, exceto

talvez o estranho que te pisa o pé no elevador

e se desculpa.

Desde quando

tua vida parou? Falas dos desastres,

dos crimes, dos adultérios,

mas são leitura de jornal. Fremes

ao pensar em certo filme que viste : a vida,

a vida é bela!

A vida bela

mas não a tua. Não a de Pedro,

de Antônio, de Jorge, de Júlio,

de Lúcia, de Miriam, de Luísa…

Ás vezes pensas

Com nostalgia

nos anos de guerra,

o horizonte de pólvora,

o cabrito. Mas a guerra

agora é outra. Caminhas.

Tua casa está ali. A janela

acesa no terceiro andar. As crianças

ainda não dormiram.

Terá o mundo de ser para eles

este logro? Não será

teu dever mudá-lo?

Apertas o botão da cigarra.

Amanhã ainda não será outro dia.

PS: Este e outros livros de literatura em português, inglês e espanhol você pode receber gratuitamente. Basta solicitar pelo email: rubens_n@terra.com.br

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6 de setembro de 2010

10 DE SETEMBRO

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Uma data como tantas. Mas, para mim, com um significado especial. Nesse dia, em uma segunda-feira, no ano cristão de 1951, às 17 horas, na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, na rua Silva Jardim, 23, ao pé do morro de Santo Antonio, ao lado da Praça Tiradentes, perante uma centena de amigos e parentes, com a cerimônia conduzida por dois pastores : Reverendos Amantino Adorno Vassão e Antonio dos Campos Gonçalves, Maria Luiza Basso Moura e eu, Rubens Nogueira convolamos núpcias. O casamento durou onze anos. O amor e seus frutos duram para sempre. Ela faleceu em 10 de março de 2007. A vida dela daria mais de um romance. O texto abaixo ela publicou no livro que escreveu em 1994. É do seu pai, João Alves de Moura, o qual ela amou e também foi amada com profunda paixão.

T R A V E S S IA

Maria Luiza Alba

Recife, 1 de junho de 1941.

Laurinha, minha vida muito adorada:

Juntamente com a tua cartinha muito querida, datada de 26 de Maio, recebi uma outra da Mãezinha com essa mesma data, e hontem á noite uma desta mesma procedência datada de 30 de Maio.

Fiquei muito triste por saber que meu querido e grande amor se encontrava doentinha e ainda por cima de tudo isso à volta com as cacetísimas provas parciaes.

Tadinha…de quem é pequenina e tem que estudar muito embora dodói.

Agora minha vida adorada toma muito especial cuidado com tua alimentação. Expulsa do pensamento o desejo malévolo dos chocolates e outros explosivos que taes. Não te iludas nem deixes iludir minha vidinha. Tu terás sempre que sofrer um pouco desse órgão e conseqüentemente para que o fígado não te venha a embaraçar só um regimen alimentar inteligentemente orientado te colocará indemne.

Vejo, infelizmente, que a doença te priva de uma certa quantidade de prazeres entre os quaes o cinema ocupa o primeiro plano, mas tem muita paciência e cautela, pois, como sabes, esta última e o caldo de galinha magra nunca fizeram mal a ninguém.

Que tal as tuas provas? Foram todas razoaveisinhas ou alguma delas desceu de categoria para a classe das sofriveisinhas?

Não te aborreças querida, nas próximas provas poderás demonstrar todo o teu capricho de boa estudante, todo o teu esforço em prol dessa riqueza incomparável que é o saber, e, então, elas serão muito boazinhas.

Fiel ao programa que venho mantendo desde que cheguei a Recife, aproveito esta lindíssima manhã de domingo para vos escrever. Não tenho feito aos dias de semana, porque, minha vida adorada, tenho andado abafadíssimo com uma serie de empecilhos que as autoridades locaes me têm creado. Fiz esforços verdadeiramente titânicos para que a inauguração da casa se verificasse amanhã dia 2 de Junho e não consegui. Os obstáculos surgidos foram de molde a impedir esse meu grande desejo. Já tinha minha passagem marcada para dia 5 de Junho e começo a recear que não poderei utilizar-me dela. Podes bem imaginar, minha queridinha, como tudo isto me tem abalado os nervos. Fumo desbragadamente e faço os mais desesperados esforços para não perder o “controle”, desenvolvendo uma dialectica elevada e macia junto às autoridades para que da minha explosão não resultem conseqüências de certo modo desastrosas que compliquem mais a situação. Infelizmente não se pode dizer tudo quanto se sente. Já o dizia Raimundo Correa.

Adotando, todavia, uma tática serena e conjugando todo o meu sentimento e fibra de lutador, não abandonarei a luta. A vida é a própria luta e lutaremos enquanto ela existir. Não perdi ainda as esperanças de vos abraçar e beijar muito no dia 11 ou 12 de Junho, cumprimentos à Aldinha, Isaura e filha, Maria e Santinha etc, etc.

Um grande e muito saudoso abraço de muitas e muitas saudades com beijos afectuossíssimos de teu pae que muito e muito te adora.

Muitos e muitos carinhos,

Motta.

Qual o filho ou, como neste caso, filha, não gostaria de receber uma carta nestes termos? O livro “Travessia” é um depoimento sofrido de uma mulher sofrida, um pouco real, um pouco ficcional sobre a vida do seu pai, sua mãe, e de si mesma, escrito com destemor, em linguagem nobre. Como ela resume : “ Nem herói, nem vilão. Apenas um homem que acertava às vezes e se confundia outras, como todos, um homem de grandes sentimentos, grandes gestos e grandes equivocações, como tantos outros. Um homem, afinal. Um amigo” . O livro, publicado em 1994, fora do Brasil, está disponível para quem desejar tê-lo. Este escritor online dispõe de alguns exemplares e terá prazer de enviá-lo, sem custo, a quem se interessar.

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2 de setembro de 2010

RECEBO COM ALEGRIA O RETORNO DE ANALIA

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Retornou de Montevidéu a podóloga Analia Rodriguez. Ela tem consultório no Majestic’s Hair, Rua Marques de Olinda, 81 – Botafogo. Seu celular: 83871065. Eis uma boa notícia para os amigos e pacientes da Analia.

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criado por rubens_n    14:53 — Arquivado em: Sem categoria

OLHAI OS LIRIOS DOS CAMPOS

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Érico Veríssimo foi meu primeiro autor. Mal comecei a juntar as palavras advinhando-lhes o sentido e foi com as “aventuras de Tibicuera” que aprendi a sonhar. Tinha escassos cinco anos. Érico, nascido em 1905 já era bom escritor,tradutor, editor, quando vim ao mundo em 1928. Nesse ano ele publicou o romance “Olhai os lírios dos Campos”, palavras do Novo Testamento, na voz do Senhor Jesus. Descobri o livro no Gabinete de Leitura de Sorocaba e li com emoção e muito proveito para minha formação intelectual. Corria o ano de 1938. Não perdia, a partir de então, oportunidade para ler tudo que o gaúcho de Cruz Alta escreveu. Agora, relendo o “Olhai…” surpreendo-me com os nomes de personagens – Olívia, Isabel, Dora, Anamaria, nomes de pessoas que enriqueceram minha vida, a vida inteira. Nestes pequenos textos que escrevo como uma obrigação para com o leitor do blog, mas também como lazer de idoso aposentado, acho que estou iniciando uma série, com releituras, fixando para o leitor o começo ou o fim de um romance, tal como na vida real na qual tudo, mas tudo mesmo, tem começo, meio e fim. Como Érico Veríssimo começou este romance urbano, todo localizado na Porto Alegre de quase um século atrás?

Assim :

1ª parte

I

“O médico sai do quarto nº 122. A enfermeira vem ao seu encontro.

- Irmã Isolda – diz ele em voz baixa - , avise o dr. Eugênio. É um caso perdido, questão de horas, talvez minutos. E ela sabe que vai morrer…

Silêncio. Uma golfada de vento atravessa o corredor. Ouve-se o ruído seco duma porta que bate. A irmã de caridade sente um calafrio, lembrando-se da madrugada em que morreu o paralítico do 103; a enfermeira de plantão lhe contara horrorizada ter sentido o sopro gelado da morte entrar no quarto do doente.

- Ele está na casa da família, doutor?

- Não. Telefone para a chácara do sogro, em Santa Margarida. Diga ao dr.Eugenio que a Olívia quer vê-lo. Talvez ele ainda possa chegar a tempo….

Encolhe os ombros, pessimista. Acende um cigarro com dedos um tanto trêmulos.

Irmã Isolda caminha para o fundo do corredor, entra na cabina do telefone, disca para o centro.

- Alô! Alô! Interurbano? Aqui é o Hospital Metropolitano.

As lágrimas lhe escorrem pelo rosto.

- … Sobreveio uma hemorragia … – diz a voz velada e distante.

Como se tivesse recebido a mensagem de desgraça primeiro que o cérebro, o coração de Eugênio desfalece, suas batidas se tornam espaçadas e cavas.

_ o dr. Teixeira Torres diz que é um caso perdido. Ela sabe que vai morrer…pediu para vê-lo…

Eugênio sente estas palavras com todo o corpo, sofre-as principalmente no peito, como um golpe surdo de clava. Uma súbita tontura lhe embacia os olhos e o entendimento. Deixa cair a mão que segura o fone. Só tem consciência de duas coisas : duma impressão de desgraça irremediável e da pressão desesperada do coração, que a cada batida parece crescer, inchar sufocadoramente. A respiração é aflitiva e desigual, a boca lhe arde, o peito lhe dói – é como se de repente lhe tombasse sobre o corpo toda a canseira duma longa corrida desabalada. Pendura o fone num gesto de autômato e dirige-se para a janela, na confusa esperança de que alguém ou alguma coisa lhe grite que tudo aquilo é apenas um sonho mau, uma alucinação.”

Pergunto: não dá vontade de continuar lendo?

criado por rubens_n    14:51 — Arquivado em: Sem categoria
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