22 de março de 2010

ZORBA LARANJA

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* Por Daniel Santos

O rapaz era bem apessoado. Alto, forte, bíceps poderosos … Parecia um latagão de praia! Apesar da aparência, não enganou o policial que, tão logo o avistou, considerou-o altamente suspeito. O tipo não o enganava.

Pediu-lhe, por isso, documentos, perguntou-lhe onde residia, sua filiação e nível de escolaridade. O suspeito respondia com um vozeirão de impressionar o policial, que, no entanto, não se deixou intimidar.

Tipos assim – acreditava – são abusados, enfrentam autoridades, alegam protetores influentes; são, em suma, filhinhos de papai, criaturas que sempre tiveram tudo do bom e do melhor, desprezam a lei..
.
Pois, revistou-o, e nada. Ordenou-lhe arriar a calça, e nada. Mas o policial percebeu o abdômen bem estruturado e coxas de gladiador. Ora, o tipo cuidava bem do corpo, não devia trabalhar. Ah, vagabundo!

As suspeitas cresciam, e o rapaz nada confessava. Desconfiado do volume na cueca, o policial deu o xeque-mate: meteu a mão na zorba laranja e pegou na arma pelo cabo. Pediu, enfim, o telefone do moço.

criado por rubens_n    12:18 — Arquivado em: Sem categoria

QUIM EM SÃO TOMÉ

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Amigos: Já estou em Portugal, de volta a Salvaterra de Magos e tudo, mas alguns textos de São Tomé ainda estavam pendurados, por isso vou-vos enviando mais uns quantos.

Beijinhos e abraços

Quim

Levaram-me a jantar na D. Teté, um sítio que eu ainda não conhecia. Fica no Entra-se por um portão para o jardim de uma vivenda numa rua de vivendas mais ou menos arranjadas. A D. Teté tem cães que às vezes mordem, por isso temos de ter cuidado ao entrar. Entrámos e corremos o jardim até ao lado de trás da casa. Havia um telheiro com uma mesa grande, algumas cadeiras e uma televisão que tinha imagem mas não som. No espaço entre o telheiro e a casa cabiam um grelhador e algumas mesas de vários tamanhos dispostas de forma agradável. Ao fundo uma construção onde se adivinhavam as casas de banho.

Os meus amigos já tinham encomendado o menu dessa noite, tendo a certeza de que eu iria gostar. Foi uma boa surpresa para mim. Era concon, um peixe pré-histórico que sobreviveu até aos nossos dias. É muito feio, com uma cabeça córnea achatada em cima, uns olhos redondos encastrados naquele osso craniano, umas barbatanas que parecem asas, outras que parecem pezinhos, tem guelras e também pulmões primitivos e é vermelho. Um encanto de bicho. Mas é muito saboroso, e ali fizeram-no mesmo bem, grelhado com muito limão-lima e picante. Estava óptimo. A acompanhar, cerveja, que a noite estava quente. As outras mesas estavam igualmente cheias e conversavam calmamente. A televisão não incomodou, o grelhador estava ali, à nossa vista, os empregados passavam sem que déssemos por isso.

Comecei a pensar naquilo tudo, se fosse em Portugal. Quem arriscaria nos nossos dias a abrir uma coisa assim, no seu jardim privado atrás de sua casa, e oferecer o que melhor sabe fazer, os bons produtos da terra cozinhados magistralmente, tudo por um preço mais do que razoável? Quem, com a nova espécie de PIDE transformada em ASAE, se arriscaria em Portugal a ser trucidado por ter um negócio onde oferece um produto de qualidade, mas que fosse no seu quintal, de porta guardada por cães, com a televisão muda, com cozinheiros que pegam à mão no peixe que estão a grelhar, onde não há facturas, nem livros de reclamações, nem colheres de plástico, nem tudo e mais alguma coisa em inox, e se pode escolher beber pelo copo ou pela garrafa?

Que bom estar ali, longe de toda essa merda de regras que nos impuseram e que impede as coisas boas e puras.

criado por rubens_n    12:16 — Arquivado em: Sem categoria

18 de março de 2010

ESTAMOS DE MUDANÇA…

…para Botafogo :

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Rua Álvaro Ramos, 271, aptº 307 – Botafogo – CEP 22280-110

Foi uma meia maratona, mas conseguimos. Por algum tempo estaremos fora do ar. Deseje-nos boa sorte na nova casa, nos próximos 30 meses.

Rubens Nogueira

mutante

criado por rubens_n    15:28 — Arquivado em: Sem categoria

LOUVAÇÃO A JOSÉ CASTELLO

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Fosse ele um músico me faria lembrar Chopin, Debussi, Brahms, por aí. Se acaso um pintor, eu o colocaria entre Van Gogh e Monet. Mas José Castello escreve. Têm livro publicados sobre Vinicius, Ana C. e outros. Além disso sustenta olimpicamente a “Coluna do Castelo”, todos os sábados no jornal “O Globo”. Agora, que beleza, inaugurou o seu próprio blog “literatura na poltrona @. Está, portanto, ao alcance de um clique. O homem de carne e osso José Castello é meio lenda e mistério. Saiu do Rio de Janeiro há muitos anos e foi morar no Alto da XV em Curitiba. Fugiu da agitação e recolheu-se à sua particular Torre do Saber”, seu castelo… Esse mestre literário, poeta da palavra, entretanto, é constantemente visto na ABL, na Travessa, na Argumento, nos cursos culturais, na Vila Madalena – é esquivo, mas ubíquo. Trata-se de um homem das letras em tempo integral. Um Álvaro Lins, um Wilson Martins, um mágico do fazer literário. Escreve com a pena do sonho e da utopia e transforma em inteligência e beleza os textos mais opacos, que lhe cabe comentar.. Louvo José Castello com admiração e agradecimento pelo que ele me ensina e estimula com o poder da sua literatura.

criado por rubens_n    13:25 — Arquivado em: Sem categoria

15 de março de 2010

NUNCA ANTES…02

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Quando o Imperador D.Pedro II e a Imperatriz estiveram no Oriente, em 1876, tudo era diferente. Um século e meio atrás, os deslocamentos eram feitos em coches puxados por animais.

O Imperador ficou 18 meses em viagem, com grande comitiva e a gente se pergunta: “quem dirigiu o Brasil nesse interrégno?” Além da rotina, o que mais preocupava a sociedade era a questão dos escravos. Neste final de semana o presidente da República e a esposa Marisa desembarcou do aerolula em Israel, com duzentos judeus brasileiros na comitiva que incluiu o governador judeu da Bahia. Ao falar no parlamento israelense, Lula lembrou a existência pacífica de judeus e árabes no Brasil. Foi aplaudido de pé. Citou alguns judeus expoentes da sociedade brasileira. Poderia ter citado José Mindlin e Silvio Tendler. Quando acerto nos exercícios de Pilates a professora Marcelle me incentiva: “aí seu Rubens, arrasou!” Pois no parlamento israelense posso dizer : Lula arrasou! Ou como poderia dizer o árabe Ibrahim Sued : “Sorry elite!”

criado por rubens_n    15:47 — Arquivado em: Sem categoria

NUNCA ANTES…

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Você acompanha por aí um verdadeiro “tour de force” da oposição para obnubilar os últimos meses de governança do homem de nove dedos. Colunistas, políticos adversários, editores de jornais, “habitués” das colunas do leitor dos periódicos e da imprensa diária, uns e outros se esfalfam no afã de negar, diminuir, desconhecer o reconhecimento da liderança de Lula. Vai longe o tempo em que a possibilidade de uma vitória eleitoral provocava arrepios nos capitães da indústria e suscitava ironias. “Estadista? – dizia um; que nada, eu conheço o Lula há 30 anos…nunca trabalhou!”. Mas como, ele não lê, não sabe inglês, vai liderar o quê?”

Hoje, o filho da dona Ludú, chegou a Jerusalém, como o “profeta do diálogo”, disposto a contribuir para a paz entre árabes e judeus”. Há 150 anos não aparecia por lá uma autoridade brasileira. Em 1876 D.Pedro II esteve naquela região. Outros tempos. O Imperador era um estudioso, culto, curioso, sempre interessado na História dos povos e pioneiro na aquisição dos frutos do progresso. Quando assumiu em 2003 o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva prometeu que o Brasil iria falar de igual para igual com os grandes do mundo. Com respeito, mas com determinação, deixando de lado o complexo de vira-lata que atrasou em décadas a projeção do país no mundo. E vai terminando oito anos de mandato podendo apreciar e comentar o comportamento subserviente de certa parte da sociedade brasileira, que se expressa na mídia. Ao referir-se aos donos dos grandes jornais – os quais, articulados, combatem as políticas governamentais, Lula pôde dizer: “Neste país eles não estavam acostumados a ter um presidente que não precisa almoçar, jantar com eles, para governar.” Ave Lula!

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8 de março de 2010

A VIDA

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Meu irmão Edward Nogueira está hospitalizado. Ele, que é o penúltimo dos seis irmãos, enfrentou com muita coragem duas cirurgias delicadas. Falei com sua esposa, a dedicada Arminda e lá está ela, ao lado dele, como tem feito há mais de trinta anos. Seu dois filhos, Emerson e André Luiz acompanham, com carinho e afeto a luta pela vida do Edward. Éramos seis, como no romance da senhora Leandro Dupré : Rubens, Hilda, Neide, Milton, Edward e Eunice. Já se foram: Hilda, Neide, Milton. Estamos aqui, Rubens, Edward e Nice. Até quando?

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DEUS NO CÉU

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Fica difícil em certas ocasiões acreditar nele. Tão longe o céu! Agora, como um lembrete, à contista Elin Marçal me alerta: “Deus, para se explicar, criou um pai na terra”

criado por rubens_n    13:19 — Arquivado em: Sem categoria

MEN IN WAR

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Parece o título de um filme: “homens na guerra” (?). Surgiu-me ao saber que o meu neto Leonardo está no Afeganistão, como militar da marinha dos EUA. Ele não é novato: já esteve no Iraque ano passado. “God bless América?” Sim, mas Deus proteja meu neto!

criado por rubens_n    13:17 — Arquivado em: Sem categoria

VIRAGO


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* Por Daniel Santos

De saco cheio. Isso mesmo: de saco cheio – assim ela se sentia. E agora que marido e filhos não estavam, podia arranhar o verniz da civilização, abdicar batom e salto alto para resgatar antiga animalidade.

Ainda se obrigou arrumar as compras logo ao chegar do mercado. Depois … Ah, que farra! Atirou longe os sapatos, ficou só de calcinha, fez macarrão e comeu na panela sem mastigar direito, farelos sobre a toalha.

Comeu de pernas abertas na cozinha, defronte à tevê, coçando a virilha sem o menor recato, que se enchera de princípios, de boas maneiras, das contenções várias que os homens costumam impor, mas ignoram.

Agora, como eles, cuspia comida sem pudor, enquanto cantarolava as músicas que as chacretes dançavam. Cada bunda, cada teta! E vibrava dando murros na mesa com autoridade de comandante, de proprietário!

Como era bom dar murros na mesa! Coçou a virilha, de novo, e enxugou a última garrafa de cerveja. Arrotou, enfim, com gosto. E entrou pela tarde esgravatando os dentes com palito, cuspindo longe os fiapos.



criado por rubens_n    13:14 — Arquivado em: Sem categoria
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