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POR QUIM
Há dias assim na cozinha, é verdade! Lembro-me até da minha avó dizer que quando se estava “vermelha” não se podia andar na cozinha. Por vezes era ela mesma que substituía a criada nos cozinhados. Pois como há dias assim, por vezes tem também de me calhar. Hoje calhou.
Fui às compras para o jantar e decidi-me por uma magnífica posta de espadarte. Grelhada na frigideira só com sal, pensei. Fui buscar couve-flor, cogumelos e natas. Em casa juntei ainda queijo fresco de ovelha, um resto de queijo amanteigado de mistura, orégãos, um ovo para engrossar, sal e pimenta. Coloquei tudo num pirex e enfiei-o no forno em lume altito. O forno era a primeira vez que funcionava, enfim, nunca o tinha experimentado a sério. Comecei a preparar o peixe enquanto o pirex fervilhava dentro do forno.
Começou-me a cheirar a queimado. Quando olhei vi chamas a saírem de dentro do forno. Credo! Larguei tudo, fechei o gás no fogão e na segurança, abri a tampa do forno para ver o que estava a arder e deixar a chama sair e preparei-me para jogar água em cima de tudo aquilo. Bem, o meu pirex cheio daquela mistela da couve-flor lá estava, no meio da fumarada e labaredas, mas estava intacto. Ardia algo por debaixo do forno, por baixo do fogão. É certo que ele está sobre um cartão, por causa das limpezas, mas daí a pegar fogo… Conclui que devia haver alguma coisa, que não vi na altura das limpezas, no fundo do fogão. Fosse lá o que fosse tinha ardido e, espero que consumido. As chamas passavam agora devagar para o tal meu cartão de protecção. Larguei a água para acabar com tudo aquilo e decidi-me a confeccionar a minha refeição da couve-flor no micro ondas. Preparei tudo no dito e deixei lá aquilo a cozinhar enquanto fui finalmente grelhar o peixe. Lavei a loiça que estava suja enquanto tudo cozinhava, pus a mesa enquanto ouvia uma musiquita. Plim! O micro-ondas tinha acabado. Espetei um garfo na couve-flor e ela disse-me que ainda não estava pronta. Mais uns minutos. O peixe ia grelhando, que a posta era grossa. Cheirou-me a queimado outra vez: Era o espadarte a torrar. Tinha-me esquecido da posta de peixe em lume vivo demasiado tempo. Lá virei a posta e baixei o lume. Plim outra vez. Lá tirei tudo do micro-ondas. Desta vez pareceu-me bem. Levei tudo para a mesa e comecei a provar…
A couve-flor estava cozida numas partes e crua noutras, o molho deslaçou e estava líquido em vez de creme, os cogumelos ficaram secos, os queijos não se misturaram. Numa palavra, aquilo estava uma desgraça. A posta do meu espadarte estava torrada de um lado, com sal a mais e sequita nalgumas partes. O que era mais esquisito era tudo aquilo estar assim ou assado só nalgumas partes! Acho que mais logo comerei uma sandes, ou algo assim, a ver se me passa o sabor de toda esta peripécia. Ou continuo e faço uma sopa Knorr… Estarei “vermelho” hoje?
Quim