Atriz de Piedade fala de sua carreira promissora nos palcos da Capital
José Antônio Rosa
Notícia publicada na edição de 17/06/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na Internet é atualizado diariamente após as 12h.
• Zé Rubens / Divulgação
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"Não existem limites quando buscamos um objetivo na vida", relata Mari Nogueira
A guinada na vida da empresária, e hoje atriz, Mariângela Nogueira, aconteceu há dez anos. Natural de Piedade, ela mesma conta que, nessa época, aos 43 anos, descobriu ser portadora de leucemia.
Passou por tratamento, venceu a doença, mas decidiu dar novo rumo à própria história. Mari, como é conhecida, sempre gostou de arte dramática. Como morava (e ainda mora) em São Paulo, procurou estudar.
Participou, assim, da oficina coordenada pela atriz Estér Góes. Em seguida, matriculou-se no curso realizado, também na Capital, por Ewerton de Castro. O roteiro da aprendizagem passou, ainda, pela escola da preparadora de elenco para cinema, Fátima Toledo e, mais recentemente, pela do diretor Wolf Maya.
A estréia propriamente dita, porém, ocorreu com o espetáculo produzido como resultado das atividades comandadas por Ester Góes. Maria atuou, também ao lado do ator Olair Coan, nascido em Porto Feliz.
Entre outras, participou da montagem de Abajur Lilás, de Plínio Marcos, trabalho que foi apresentado na edição 2007 do Festival de Curitiba. No ano passado, passou a integrar a companhia do diretor Flávio Faustinoni e o elenco de Depois de Tudo.
O texto de Franz Keppler aborda os problemas a que se sujeitam moradores de uma rua a partir do surgimento de um buraco. A situação toma por base o acidente ocorrido com a Linha Amarela do Metrô de São Paulo em 2007. Mari interpretou Noêmia, a mãe que, com os dois filhos, precisa sair da casa ameaçada de desmoronamento. Os três mudam-se para um hotel, onde repassam os conflitos familiares, discutem os traumas e perspectivas futuras.
Para a atriz, o personagem é, ao mesmo tempo, instigante e desafiador. A sinopse da peça descreve Noêmia como uma fanática religiosa para quem todos os males decorrem do castigo divino aplicado por faltas cometidas no passado.
Assumiu, sozinha, a criação de Júlio, jovem que, para sobreviver, optou pela marginalidade e de Lúcia, outra xiita religiosa que atribui a tragédia ao atraso no pagamento da contribuição que recolhe à igreja.
Mari desenvolve, paralelamente, outros projetos. Está para estrear em Frames, de Denise Weinberg e, em agosto, com João Faustinoni, faz O Pelicano, clássico de Strindberg, que deve ocupar o Teatro Sérgio Cardoso.
O diferencial dessa história toda, no entanto, fica por conta do exemplo de superação da atriz.
Na base do com licença, eu vou à luta, ela venceu barreiras e apostou em si mesma. Aos 53 anos, não acredita em dificuldades, e diz não ter, também, enfrentado preconceito em razão da idade.
Neste caso, a arte imita a vida. Enquanto existirem sogras chatas, mulheres de meia idade, personagens femininos fortes, com histórias para contar, estaremos em cena. Não existem limites quando buscamos um objetivo na vida, relata.
Só para variar: Mari Nogueira faz coro com os artistas que aguardam a oportunidade de se apresentar na terra natal. Em outras palavras, ela avisa aos produtores locais que está à disposição para trazer o espetáculo, que já foi assistido em Piedade, até os palcos de Sorocaba. Depois de Tudo ficou em cartaz no Teatro Pyndorama, em São Paulo, até 26 de abril.
PS: A estrela sobe – Nada a acrescentar.
Rubens