18 de dezembro de 2008
Dr. Law em Show
Dia 20 em Cabo Frio
A galera vai conhecer o novo CD do DR.LAW no show que a banda vai fazer agora, dia 20, sábado, às 21 horas em Cabo Frio, no:
Boulevard Canal
O local fica bem em frente ao Bar Etílico. Oba! Vai lá, vai lá!!!!!!!!!!
16 de dezembro de 2008
DANIEL SANTOS
Ainda não era o fogo. Fogo mesmo, de verdade, com lavas, só anos mais tarde. Pouco antes de criar buço, ele apenas intuía aquela espécie de sezão que estremeceria seu corpo num assomo imperativo do instinto.
Que se lembre, um dos primeiros sintomas foi a atração pelas meias de seda da prima: ao encontrá-las no cesto de roupas para lavar, acariciou-as, passou-as no rosto, cheirou-as … Suas têmporas latejando urgências.
Nunca antes fizera aquilo, e de repente … De repente, aquela fraqueza nos olhos que o vento levava para baixo da saia das meninas, olhos esgazeados, cegados até!, pela visão de inéditas paisagens.
E deu de dormir com a mão dentro do short, como se tateasse nos carvões da noite algum indício da fogueira recôndita, onde rubis crepitavam na glória da gozosa consumição. Era véspera do incêndio!
Aí, os bíceps enrijeceram. Momento em que a pele quase fosforecia na fricção comburente com o instante. Ele queria escandir até ganhar têmpera. Aceitou, por isso, a febre que foi tomando todo o seu organismo.
PS : Êta Daniel Santos !
9 de dezembro de 2008

Coisas que eu nunca vi: genro com retrato da sogra na carteira, imagem de santo com óculos, cabeça de bacalhau, chester vivo, papel higiênico em banheiro de estádio de futebol, salário durar 30 dias, pai de pai-de-santo, pitbull e pitboy amigáveis, paciente de psicanalista receber alta, miss que não tenha lido “O pequeno príncipe”, novela mexicana sem canastrão, os EUA sem guerrear, juros bancários nacionais que não sejam escorchantes, petista realmente socialista, o presidente Lula ficar um mês sem flanar, político cumprir tudo o que prometeu em campanha, tribunal brasileiro julgar com agilidade recurso de réu pobre e banqueiro cumprir condenação criminal no Brasil.
Túlio Marcos Soares Carvalho
(por e-mail, 3/12), Belo Horizonte, MG
O Globo 04-12-2008
PS : Faltaram os incorretos : enterro de anão e ex-homossexual
Aguardei a semana toda. No sábado, já em casa, verifiquei : o jornal estava incompleto. Não tive dúvida. Voltei à rua e comprei outro exemplar. Grande decisão. Tal como eu esperava, uma belíssima crônica. Ana Cristina Reis* é apaixonante : pelo estilo, pelo humor, pela inteligência. “Só posso dizer uma coisa”. Se me aparecesse uma criatura como Ana Cristina Reis, eu me casava na hora, pela quinta vez”. Sorte do Horta. Com todo o respeito!
Rubens Nogueira
* Ana Cristina Reis é Editora do Caderno ELA de OGlobo, aos sábados.

“Rocha eterna, meu Jesus,
Tu morreste lá na cruz”
São os primeiros versos de um cântico tradicional nos templos evangélicos e que ouvi agora na voz maviosa de uma artista – Erna – O CD “Teu amor é sem igual” é o primeiro. Um segundo está prometido para breve. Erna Fuchs, a bela cantora gospel trabalha na FIBRA – Fundação Itaipu em Foz do Iguaçu e esteve no Rio, prestigiando o almoço anual dos aposentados da Usina Hidrelétrica Binacional, o qual aconteceu no Clube da Aeronáutica, no dia 04 último
4 de dezembro de 2008

Sessenta e cinco anos após a primeira edição, o impressionante relato de Vivaldo Coaracy sobre as prisões na Revolução Paulista de 1932 chega às livrarias com o selo Documenta Histórica.
O livro, com prefácio de José Mindlin, será lançado no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Livraria Arlequim, no Paço Imperial.
Seus líderes foram presos e enviados para a Sala da Capela, nome dado a um pequeno recinto na Casa da Correição, no centro do Rio de Janeiro, reservado para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo. Nesta situação, estavam nomes como Júlio de Mesquita Filho, ex-diretor do jornal O Estado de São Paulo, Guilherme de Almeida, Casper Libero, Austregésilo de Athayde, Prudente de Moraes Neto, Altino Arantes, Oswaldo Chateaubriand, Aureliano Leite, Cyrillo Junior e Sylvio de Campos, entre dezenas de outros. Vivaldo Coaracy, que também fazia parte desta relação, pediu a alguns companheiros mais próximos que registrassem nas páginas de um álbum de autógrafos algumas palavras que constituíssem, no futuro, preciosa recordação daqueles dias de convívio. Assim nasceu o livro A Sala da Capela, que teve sua primeira edição em 1933.
Documenta Histórica Editora Ltda Email: editora@documentahistorica.com.br
Rua da Candelária, 9 sala 605
www.editoradocumentahistorica.com.br
Centro – RJ – 20091-020
Tel.: (21) 2203-0482
PS: Vivaldo Coroacy foi um dos grandes memorialista brasileiros. Este é o segundo livro dele, trazidos à luz pela Documenta nos últimos doze meses. E a propósito: o que você tem lido ultimamente?
Anésia Pinheiro
A mulher se encaminhou na direção da mesa no fundo do restaurante, o garçom caminhou em sua direção, mostrou-lhe a carta de pedidos, ela a fechou delicadamente, olhou para o garçom e pude ler nos seus lábios; o de sempre…
Pensei em perguntar ao garçom quem era aquela senhora que, ainda guardava os traços delicados da juventude, o garçom trouxe meu jantar eu me dediquei ao meu prato predileto; rosbife com batatas cosidas.
Acabei minha refeição, paguei a conta e sai…
Caminhei três quadras pela Av.Atlântica para dobrar a esquina em direção ao meu apartamento…
Entrei pela garagem do prédio, vi meu carro abri o carro liguei a chave e parti em direção ao restaurante que eu havia saído…
Será que a encontrarei no restaurante, pensei?…Mas já é muito tarde, ela já deverá ter ido embora…
Estacionei o carro e me dirigi para o restaurante e a vejo sair, abrir seu carro e partir…
Corri apressado para meu carro para alcançá-la ainda na rua em que ela estacionara seu carro…
Segui o carro nem sei por que, talvez a curiosidade de escritor…Talvez a curiosidade de homem ao ver uma mulher sozinha naquela hora tardia na noite do Rio, eu que havia chegado naquele dia de uma viagem no interior para me despedir da minha mãe que falecera…Talvez mais por isso…Pensei na minha mãe; será que minha mãe seria como aquela senhora se vivesse no Rio?…Vidas tão diferentes…
Ela dobrou na Lagoa parou o carro na porta de uma bar restaurante famoso…Pensei mas o que há comigo?… Naturalmente ela mora perto desse restaurante, mas por que foi para o posto seis fazer sua refeição?…
Mas não… Ela entregou as chaves do carro ao porteiro e entrou no bar…
Parei meu carro do outro lado e disfarçadamente sem que o porteiro notasse que eu a estivera seguindo mesmo por que eu nunca havia estado ali.
Entrei e bem à frente, sentada no bar, lá estava ela.
Os músicos percebi que deviam ser os melhores, reconheci por fotos dos jornais ao piano Luiz Eça…
Um intervalo dos músicos, o DJ colocou o velho Sinatra…
Ela tem bom gosto… Um dia quem sabe, tomo coragem me apresento e agradeço sua ajuda na descoberta desse bar?…
Tomei um drink em pé, paguei e saí…
Como já era meu plano de voltar naquele bar, voltei lá algumas vezes, mas nunca mais a vi…
Até que uma noite…(supense…)
PS: Continue, Anésia!
DANIEL SANTOS
No início do cerco, quando os soldados investiam apenas vez e outra, e assim mesmo contra pequenos grupos, a maioria conformava-se com o benefício da dúvida: talvez ainda não se justificasse um levante.
Os curiosos, com leviana excitação, alardeavam fatos escabrosos e os rebeldes, dos quais esperava-se o primeiro brado, perderam tempo com discussões sobre teoria da ofensiva: a quem caberia a iniciativa da reação?
Jornais inflamavam-se de indignação liberal, como se tal evitasse o fim do crédito e a escassez de alimentos. Enfim, apreensivos, mas ainda confiantes na capacidade de resistência, acreditavam que tudo era fase.
Mas, um dia, a fome tomou-lhes metade das carnes … da mesma forma que perdiam para seus perseguidores a liberdade de ir e vir. E agora, como se comunicarem? Já não havia passado a oportunidade de reação?
Pegaram-nos, enfim, e já no pátio das execuções reuniram-se de cócoras sem rezas nem protestos. Quando um deles era chamado, apresentava-se. E, assim, um a um, sumiram todos pela mesma porta!
PS: Quim, Daniel Santos, Anésia Pinheiro, cabeças privilegiadas, às quais muito me honra abrigar neste blog. Enquanto eles trabalham, vou economizando energia…E você? Tem algum texto que gostaria de ver publicado? Não se faça de rogado – mande!
QUIM
Olha a moça que passa por ti num movimento que levanta vento. Repara como esse vento faz mover os cabelos que semi-escondem as suas orelhas. Estranho. As orelhas espreitam sempre por entre os cabelos que às vezes são como se fossem vagas, outras como salpicos de uma vaga, de outras ainda como ondas descompostas. Que lindas se tornam as mulheres sem darem por isso. Encerram todo o Oceano, o movimento das águas e das marés que todos os dias vejo e recordo, imagens de outras mulheres que amo. Quando andam, quando se movem, quando guardam águas no ventre. Ah, o movimento das águas; Todo o movimento do mundo está aí. Como o movimento desses cabelos como que por acaso sobre as orelhas.
Quim
QUIM
Ele ocupa o lugar central da mesa mas é a mulher a seu lado que faz anos. Ambos distribuem a sua atenção, conversa, conhecimento, sorrisos pelos convivas em frente, ao lado… a mesa é grande, alberga seis pessoas ao todo mas eles são sem dúvida os mais lindos, mais informativos, os que têm mais vida. Imagino-os fora daqui, no dia-a-dia, talvez em casa própria. Ela olha com os seus olhos pequeninos, ele domina com o olhar sobre os outros. Parecem felizes e completam-se. Mais um aniversário se completa, dele ou dela, não interessa. A idade avança, já ambos têm os cabelos bem brancos, as rugas do tempo já traçaram os seus veredictos, o algoz há-de vir um dia destes. Mas, sob a luz das velas que, desta vez não são a luz bafienta e podre das igrejas, os olhos voltam a sorrir, recupera-se a altivez, o charme de uma vida bem vivida. E dá-se o que se tem…
Que no caso é lindo de enorme…
Quim