
Essa fotografia esmaecida é copyright by Manchete. Ano de 1965, e precedeu o almoço à diretoria da Associação Brasileira de Anunciantes, a qual estava comemorando o terceiro ano de existência. Nós, seis homens e duas mulheres, representávamos boa parte do faturamento da Manchete e demais revistas da Bloch Editores. Três outros rapazes eram do Departamento de Publicidade. Ali representávamos, entre outros anunciantes, a Shell, a Nestlé, a GM, a Gillete, a IBM, a ARNO, a Casa Masson, e algumas indústrias farmacêuticas. Este escriba (de óculos, na extrema esquerda) vice-presidente da ABA, representava a General Electric. O local do almoço, o esplendoroso salão do 6ºandar da sede, na Praia do Flamengo. O clã dos Bloch, à frente o senhor Adolfo, timbrava em bem receber. Ele, mesmo, pouco aparecia, e quando o fazia, estava sempre acompanhado da cadela Manchetinha,a mesma que criou as duas cadelinhas presenteadas a Heitor Cony e que, ao morrer, ganhou uma sentida crônica : Mila a mais que amada modelo para qualquer aprendiz de escritor. Um dos Bloch, o Oscar era quem fazia as honras da casa. Homem de natural sorridente, tinha um humor corrosivo. Na calçada do edifício, uma escultura imponente, em bronze. Oscar dizia: - “Chama-se a “Quimera”, mas eu digo : “ Qui merda!”
Meu conhecimento e contato com os “Karamabloch” ia além dos comerciais. Nos muitos anos em que trabalhei, em agência de propaganda, na General Electric e na Itaipu Binacional, freqüentei assiduamente as instalações na rua Frei Caneca, as oficinas gráficas em Parada de Lucas e a monumental sede na Glória. Sabia, porém, da vida da família Bloch desde muito antes de vê-los de perto. Minha sogra Maria Carlota, modista de renome, costurava para as mulheres Bloch. Uma das meninas – Rosaly – foi aluna de minha mulher – Maria Luiza Moura Nogueira – no Colégio Bennett. No livro que tem o título : “Os irmãos Karamabloch”, dado à luz esta semana, o autor, jornalista Leonardo Bloch refere-se ao idealismo “interessado” do senhor Adolfo. Todos sabem da paixão dele por Brasília e do carinho protetor que dispensava a Juscelino. Sou testemunha do seu entusiasmo pela saga que foi a construção da Hidrelétrica Itaipu Binacional. Todos os anos, desde 1976 até a inauguração da 1ª turbina, em 1983 ele destacava o repórter Irineu Guimarães e um fotógrafo para fazer uma reportagem – 8, 10 páginas – a cores, mostrando o progresso da gigantesca obra. Era empreendedor! Criou um império. Fez História!
Rubens Nogueira
Jornalista e escritor