21 de outubro de 2008

No Front

Ôba, hoje ela escreveu! Conheço gente que espera com ansiedade o sábado chegar. Para ler Ana Cristina Reis. Sabiamente Ela alterna a aparição. Ultimamente ficou ausente três semanas. Tudo bem, estava de férias. Como profissional de escol e muito escolada, de tudo o que vê, sente, vivencia - da doce laranja lima resulta delicioso suco. O casamento, de meses, ainda rende. Homem feliz o marido. Felizes os leitores.

Rubens
leitor

criado por rubens_n    14:00 — Arquivado em: Sem categoria

NO ESCURINHO DO CINEMA - DANIEL SANTOS

Durante toda a manhã, a mulher distribuiu cópias do currículo pelas empresas do centro da cidade, sob um sol que lhe aferroava nuca e têmporas, enquanto o sapato mordia no calcanhar como cão raivoso.
Realidade demais para quem precisava sonhar; com a conquista de um emprego, por exemplo. Por isso, nada comeu à hora do almoço, mas enfiou-se no cinema com uma lata de refrigerante para amenizar o calor.
Já descalça, olhos fixos na tela, recostou-se gostosamente e bebeu a pequenos goles para fazer render o bom. Tamanho o prazer que quase pegou no sono, mas houve um sobressalto: algo pulara em seu colo!
Um gato, um amoroso filhote de gato! A mulher acomodou-o no assento ao lado e adormeceu acariciando-lhe o pêlo. Sem consciência do quanto dormira, despertou, mais tarde, com uma forte patada na mão.
Assustada, aprumou-se e viu que o companheiro se evadira para a última fileira de poltronas, onde nem o reflexo da tela alcançava. Seguiu-o e, de fato, apesar do escuro, viu que um olhar flamejante a chamava.
Olhos grandes demais para um filhote, mas… Ao estender a mão para acarinhá-lo, duas patas poderosas agarraram-na, as unhas quase sangrando-lhe as costas e uma língua áspera penetrando seus lábios!
Quis gritar, mas não resistiu à imantação daquele corpo elástico nem à eletricidade dos bigodes. E, aí, perdeu os sentidos. Nunca chegou a sentir quantos dentes o apetite (o mais avaro) investe na saciedade.

Texto de Daniel Santos, amigo de Ana Nogueira. Ela esteve por aqui entre o Natal e o Ano Novo. Neste início de ano aprouve-me pegar carona em um texto tão intrigante.

Rubens

Mais carona :
Livros se escrevem em segredo, à revelia de quem escreve. Não basta planejar um livro; é preciso, antes disso, ter um livro dentro de si. José Castello - O Globo 03/11/2007.

criado por rubens_n    13:53 — Arquivado em: Sem categoria

Jornal do Brasil - 24-6-1970

Ninguém Segura este Pais
José Carlos de Oliveira

“Bem. Agora que sou tricampeão mundial de futebol, espero que vocês me deixem dormir. Trabalhei muito, defendendo e atacando; driblei um bocado de gente e suportei uma porção de caneladas; fiz todos os gols que eram necessários e alguns que ninguém esperava, agora, quero dormir.

O jogo contra a Itália destroçou meus nervos. Aquele passe que dei à Irene Singery, e que ela não aproveitou, resultaria no mais belo gol de todos os tempos. Mas a Irene estava pintando as unhas do pé, de acordo com as instruções de Zagalo, e tive que ir bloquear o ataque italiano até que ela se refizesse. Interrompendo a partida, o juiz ordenou que o massagista terminasse a pintura das unhas da referida atleta. Nessa ocasião, mordiscando uma pedrinha de gelo, perguntei a Irene qual era o drama.

- Estou exausta – respondeu ela. – Este último jôgo está sendo de matar. Além de toda a expectativa dos dias antes, o próprio de domingo está sendo uma loucura.

Gostei também da atuação de Tatá. Quem conhece futebol sabe que Tatá é um craque. Quando êle fez o terceiro gol, gritei :

- Tatá, você está simplesmente assombroso!

A mulher dele, Norma da Rocha Oliveira, sorrindo no banco dos reservas, explicou:

- Meu marido Tatá é um alucinado, adora futebol!

- Quando a Itália empatou, aproximei-me do Emílio e lhe disse:

- Emílio, o negócio está ficando feio. Tenho pernas para correr o tempo todo, mas o Pelé me parece um tanto afobado. Que é que você acha?

- Ninguém segura este país – afirmou ele. (*)

Quando tudo terminou, desorganizamos um festa na Lagoa. Lúcio Rangel, vestido de hippie – camisa amarela, gravata verde, brincos – mergulhou sobre um copo de uísque, dizendo :

- Ninguém segura este país!

Erguemos um brinde ao Brito, que em 15 anos de futebol conquistou apenas dois títulos: campeão de aspirantes pelo Vasco da Gama e tricampeão mundial de futebol…

Se o Tostão com um olho descolado joga o que está jogando, imaginem se ele tivesse os dois olhos descolados!

No decorrer da Copa, e também em obediência à tática de Zagalo, Ana Maria Tornaghi vibrou com diversos grupos, mas principalmente em casa de Isabel e Eduardo Guinle.

Quem demonstrou sangue frio foram os casais Antonio Galloti e Valter Moreira Sales. Tão logo o juiz deu por terminada a partida, eles foram jantar tranqüilamente no Antonino. Nem parecia que tinham feito quatro gols.

Zagalo, emocionado, declarou à rede nacional da televisão:

- Quem ganhou esta Copa não foi o Pelé, nem oTostão, nem o Rivelino. Quem ganhou esta Copa foi o vatapá dos Monteiro de Carvalho!

Segunda-feira, duas horas da tarde. Uma verdadeira multidão está sentada no restaurante Degrau. Brandindo copos de chope, no auge da alegria cívica, todos gritam:

- Ninguém segura este país!

E eu fico imaginando que Ninguém era um jogador da Itália, que quando nós já estávamos nos 4 a 1, o técnico deles sugeriu:

- Vai lá, Ninguém, e segura esse país!

Mas o juiz não deixou Ninguém entrar.

E agora, que já vos dei a Taça Jules Rimet, espero que me deixes dormir”.

(*) Pois é. Foi assim o sucesso da frase que eu criei, em uma reunião de craques da publicidade. Carlinhos de Oliveira, com muita ironia, escreveu o artigo acima. O Emílio que ele cita era o Presidente Emílio Garrastazu Médici. A frase era: Ninguém segura o Brasil.
Médici modificou-a na entrevista ao “O Globo” logo após a vitória do Brasil.

Rubens Nogueira

Ninguém me segura

criado por rubens_n    13:51 — Arquivado em: Sem categoria

Ninguém segura o Brasil

Lembrando os anos setenta, o presidente Lula deu pra usar a frase que marcou a conquista da Copa do Mundo em Guadalajara, frase síntese, idéia fôrça, nascida em reunião da Novíssima de Propaganda, na segunda-feira que antecedeu a partida final. Na capa da revista “Veja”, uma fotografia da carreata na avenida Atlântica – um automóvel com a capota arriada, e um bando de rapazes e moças, na maior euforia, desfraldando uma enorme bandeira verde amarela. Daquele brainstorm participaram alguns cobras da publicidade carioca, mas coube a este Judas Obscuro abrir a boca uma única vez: ”Que tal, NINGUÉM SEGURA O BRASIL?”
O cliente aprovou por telefone. Foi uma semana de muita azáfama para produzir os adesivos, entregá-los à sra. Josefina Jordan, locomotiva da sociedade, como a apelidou Ibrahim Sued. Ela e uma pá de damas do society se encarregaram da distribuição para que, no domingo decisivo, muitos e muitos automóveis circulassem devidamente adesivados. E o cliente, com a assistência do jornal “O Globo”, ao final do jogo, seria fotografado fazendo uma embaixadinha e repetiria para o repórter, a frase, mas como não a decorou, improvisou ou formulou a sua: ninguém segura este país. Foi bem assim. Ele, o cliente, como o presidente atual tinha razões para comemorar, além da conquista da Taça: o país crescia a 9% ao ano.
Como hoje, o presidente da República mostra, com orgulho o que o Brasil vem conquistando como nação destinada à grandeza. Naquela ocasião, “ O Brasil vai bem, o povo vai mal. Hoje, o Brasil vai muito bem, e o povo? Há controvérsia.

Rubens Nogueira

ex-publicitário

criado por rubens_n    13:48 — Arquivado em: Sem categoria

Nicholas Casaquevite

Nasceu no dia cinco, às 13:57, o menino Nicholas. Pesou 2.830 gramas e mediu 49cm. Os felizes pais, Francisco e Sandra são só alegria e alívio. Nicholas tem uma irmã – Monique – seus avós são Nicola e Maria de Lourdes. Seja bem vindo Nicholas. Seus amigos Ana, Aurora, Vera, Regina, Elza e Rubens desejam-lhe uma vida com saúde e muitas realizações, sob o signo de gêmeos, tendo mercúrio como regente.

criado por rubens_n    13:46 — Arquivado em: Sem categoria

Não doeu

Olha só. Emplaquei setenta e nove. Atire a primeira pedra quem, numa hora dessas, não evoque outros momentos iguais, não sinta uma certa melancolia. Eu me recordo da primeira festinha quando fiz dezoito anos, a mesa modesta na casa da rua Souza Pereira. Dona Hortência, muito orgulhosa do filho que chegava à maioridade, rodeado de amigos do Clube Literário – Adaucto, Carlos Rosa, Pedrina, e Canabarro que discursou. Muita água passou sob a ponte do rio Sorocaba e as comemorações ocorreram no Rio, em Foz do Iguaçu, em Curitiba. De volta à terra carioca, o encontro dos amigos foi muito, muito bom. Começou as 9 da manhã com um petit dèjeneur sur la table em torno da qual a conversa correu solta e onde o assunto dominante foram as artes, notadamente, o teatro, a música, a televisão, o desenho, a cerâmica etc e tal. Até ao anoitecer as mensagens chegaram de Curitiba, Foz do Iguaçu, São José dos Pinhais, Leblon, Massachussets, São Paulo, Campinas, Flórida, Península de Maraú(Bahia), Queimados, Caxias…obrigado, obrigado, Cléia e Edson, Mariângela e Márcio, Marlina e João Carlos, Maria Helena, pastor Reinaldo, Fabiana, Elmar, Dora, Conceição, Regina Lúcia e Ricardo, Ana Maria e Sergio, Vera e Tom, Bruna e Bruno, Aurora e Nilton, Regina (irmã da Aurora) Elza e Alzira, Adail, Cleide, Elin e Waldyr, Miriam Brasil, Sandra e Francisco, Elizete e Maurício. Minha auto-estima foi lá pra cima. Faltou você. Sei, não me esqueceu. Tudo bem. Tudo bom. Não doeu.

Rubens Nogueira

Cronista social em causa própria

criado por rubens_n    13:44 — Arquivado em: Sem categoria

Na contra-mão

Na contra-mão

Crise? Depressão? Recessão?

Comigo não violão….

Desgraça é com a Miriam Leitão!

O Presidente ta certo!!!

Rubens Nogueira

Pra baixo, todo mundo empurra
Pra cima é que a coisa muda!

criado por rubens_n    13:42 — Arquivado em: Sem categoria

Música, divina música 2

O presbiterianismo, ramo religioso dissidente de Roma está se preparando para comemorar o sesquicentenário. Foi em 12 de Agosto de 1859 a chegada de A.G.Simonton ao Rio. Antes dele, outros missionários americanos trabalhavam pelo nosso interior. No Rio de Janeiro o símbolo maior da evangelização é a Igreja do Rio, na rua Silva Jardim. A imponente Catedral Presbiteriana foi erguida ao pé do morro de Santo Antonio, de frente para a praça Tiradentes. Naquele templo, onde me refugiei em 1948, temeroso da cidade grande, vivi momentos inesquecíveis, nela me casei pela primeira vez e ali meus filhos foram batizados. O que guardei de melhor recordação foi a música do coral e o canto coletivo. Acho a música mais evocativa do que o perfume. Nos últimos dias, em meio à perda de Dorival Caymmi, e da lembrança dos cincoenta anos da bossa nova, tem acontecido eventos musicais de grande significado, pelo valor dos artistas – João Gilberto, Roberto Carlos, Caetano Veloso. São ícones de nossa época. Tais apresentações soam como ensaio do canto do cisne de um ciclo que vai se encerrando. As novas gerações se debatem entre os legados musicais e a criação de novos sons. Ainda não sabemos o que vai predominar quando Tom e seus pares forem apenas objetos de estudo nas escolas de música. Mas da flauta de pan, ao banquinho e um violão, a música divina música, embalará sonhos, fantasias, fervor religioso, por aí…

Rubens Nogueira,

desafinado

criado por rubens_n    13:40 — Arquivado em: Sem categoria

Música divina música

O pastor Amantino repetia sempre: “a música é a mais alta manifestação da glória de Deus”. Meu espírito viajava pelas esferas celestes enquanto ouvia e via, encantado, a música acontecer no Teatro Municipal sob a regência do paulista Roberto Minczuk, o qual, em poucos meses recuperou o prestígio, a competência, a harmonia da OSB, a qual eu, um leigo, admirava em 1950, regida por Szenkar, Eleazar, e outros maestros, em memoráveis tardes de sábado. Diz Luiz Paulo Horta, a propósito da apresentação ao vivo: “A graça do concerto ao vivo é que nunca se sabe exatamente o que vai acontecer”.
Sentimento igual se apoderou de mim ao ver, a poucos metros, a soprano Kiri te Kanawa, quem, de nome e de gravação conhecia há tempos. Diferente é vê-la, aos 63 anos, porte imponente, serena e sorridente, cantando peças adequadas à sua condição vocal atual, mas em aguns momentos arriscando-se a trinados que a fizeram a Dame Commander da música por muitos e muitos anos. Sua postura cênica é emocionante.
Vestida de preto, o tecido forrado de pedrarias multicores, a face marcada pela idade, porém linda e majestosa ( Horta a compara a Jane Fonda, eu à Princesa Diana).
Foi uma tarde maravilhosa, um rico presente de aniversário, que jamais esquecerei. Obrigado Cristo, meu amigo, obrigado Dindinha, minha amiga. Sou um homem feliz.

Rubens Nogueira
Canta mas não entoa

criado por rubens_n    13:37 — Arquivado em: Sem categoria

Magoei Seu Rossi

Em outra época de ufanismo idiota, similar ao do atual governo, dizia-se "ninguém segura este país". Nem precisa dizer: "se o país é incapaz de segurar um avião na pista, vai segurar o que?" (Clóvis Rossi - FSP 24-07)

A Copa do mundo de 1970 empolgava setenta milhões em ação. Na capa da "Veja" a fotografia da comemoração na avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, mostrava, em destaque, um automóvel com a rapaziada eufórica, a bandeira nacional cobrindo os corpos. Na Novíssima de Propaganda, Herculano Siqueira, Cesar Mesquita, Guilherme Vasconcellos, José Álvaro,Wanderley Conceição, Leonor Basséres e eu, estávamos há uma hora" brainstormiando" em busca de uma idéia fôrça para substituir o "ame-o ou deixe-o". De repente este "idiota" abriu a boca: por que não : "Ninguém segura o Brasil?" Que alívio! Nascia ali o slogan que duraria uma década. E seria lembrado 37 anos depois, negativamente, por êsse grande jornalista que é Clóvis Rossi.

Rubens Nogueira
O Washington Olivetto da periferia

criado por rubens_n    13:21 — Arquivado em: Sem categoria
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